A cerimónia de trasladação dos restos mortais da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen teve início hoje, às 16h30, no cemitério de Carnide, de onde partiu em direção à capela do Rato.

O carro fúnebre partiu, escoltado por 23 militares da GNR, em motorizadas, que irão fazer o percurso, através de Lisboa, até ao Panteão Nacional, passando pela Capela do Rato, pela Assembleia da República, seguindo depois pelo caminho junto ao rio, até ao monumento que não fica distante da casa na colina da Graça, onde viveu Sophia de Mello Breyner Andresen.

A urna com os restos mortais da poetisa está coberta pela bandeira nacional e, no cemitério, além de familiares e membros do protocolo da Assembleia da República, encontrava-se a vereadora da Cultura da Câmara Municipal Lisboa, Catarina Vaz Pinto.

A missa, à qual assiste a família, é celebrada às 17h30 pelo patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, na capela da calçada Bento da Rocha Cabral, saindo depois o cortejo, pelas 18h15, em direção à Assembleia da República, atravessando o largo do Rato, para seguir depois pela rua de S. Bento.

O cortejo passa pela Assembleia da República, não estando prevista qualquer cerimónia, segue pela avenida D. Carlos no sentido da 24 de Julho, em direção à Praça do Comércio, rumando ao Panteão pela Sé, disse à Lusa fonte oficial.

Está previsto o cortejo chegar ao Panteão Nacional pelas 19h00, onde José Manuel dos Santos, da Academia Nacional de Belas Artes, fará o elogio fúnebre, seguindo-se as intervenções do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.

Ainda na escadaria do Panteão estão previstas atuações da Companhia Nacional de Bailado e do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, e a difusão de uma gravação de 1957, de uma leitura de poemas por Sophia de Mello Breyner Andresen.

Depois da assinatura do Termo de Sepultura pelo Presidente da República, pela presidente da Assembleia da República e pelo primeiro-ministro, pelas 20:00 a urna é transportada para o interior do Panteão Nacional, onde ficará depositada numa arca tumular na sala onde se encontram os túmulos do general Humberto Delgado e do escritor Aquilino Ribeiro.

Sophia de Mello Breyner Andresen é a segunda mulher a ter honras de Panteão Nacional, como forma de homenagear “a escritora universal, a mulher digna, a cidadã corajosa, a portuguesa insigne”, e de evocar o seu exemplo de “fidelidade aos valores da liberdade e da justiça”, conforme se lê no projeto de resolução da Assembleia da República.

A Assembleia da República aprovou por unanimidade, no passado dia 20 de fevereiro, a concessão de honras de Panteão Nacional à escritora que foi também deputada à Assembleia Constituinte, em 1975-1976, realizando-se a trasladação quando se completa uma década sobre a sua morte.

A primeira mulher a ter honras de Panteão Nacional foi a fadista e poetisa Amália Rodrigues, falecida em 06 de outubro de 1999, cujos restos mortais foram trasladados do cemitério dos Prazeres para o Panteão, em julho de 2001.

A lei prevê que as “honras do Panteão” se destinam “a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

O escritor Aquilino Ribeiro, falecido em maio de 1963, foi a última personalidade que deu entrada no Panteão Nacional, para o qual foi trasladado em setembro de 2007. A decisão foi tomada em março desse ano, tendo o parlamento reconhecido o valor da sua obra literária.

No Panteão, além dos cenotáfios — arcas tumulares de homenagem sem corpo – evocando as figuras de Luís de Camões, do infante D. Henrique, de D. Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, encontram-se ainda os túmulos dos ex-presidentes da República Manuel de Arriaga, trasladado em 2004, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona, dos escritores João de Deus, Almeida Garrett e Guerra Junqueiro.

O Panteão Nacional, em estilo barroco, monumento nacional desde 1918, ergue-se no terreno onde outrora se edificou a igreja de Santa Engrácia, no século XVI, mais tarde destruída por uma tempestade.