O Banco Espírito Santo emprestou 980 milhões de euros a holdings do Grupo, segundo o Diário Económico, que cita revelações feitas na segunda-feira por dois administradores da instituição financeira. Perante a forte queda nas cotações do banco, Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes convocaram uma conference call com analistas em que afirmaram que o BES é credor em 780 milhões de euros da Espírito Santo Financial Group (ESFG), que detém 25,1% do capital do banco, e em 200 milhões de euros da RioForte, sociedade que possui 49% do capital da ESFG.

Os receios dos investidores em relação à situação do Grupo Espírito Santo (GES) têm provocado uma onda de venda de ações do BES. Na segunda-feira, as cotações da instituição ainda liderada por Ricardo Salgado fecharam a sessão da Euronext Lisbon com uma desvalorização de 16%, enquanto a ESFG recuou 19%. Estes movimentos levaram, inclusivamente, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários a proibir operações de venda a descoberto (short selling) sobre os títulos das duas unidades do GES.

O valor emprestado pelo BES às duas empresas relacionadas representa, de acordo com o Diário Económico, 1,18% dos ativos do banco, a que se somam instrumentos de dívida de curto prazo emitidos pela RioForte e pela Espírito Santo International (ESI) num total de 651 milhões de euros e que foram colocados junto de clientes não institucionais do banco. Este compromisso foi objeto da constituição de uma provisão, por parte da ESFG, no valor de 700 milhões de euros, sob pressão do Banco de Portugal. Junto de clientes institucionais, as responsabilidades assumidas através da emissão de papel comercial elevam-se a 1,9 mil milhões de euros, escreve o Diário Económico.

O registo de novas imparidades, relacionadas com a deterioração da carteira de crédito e a desvalorização de participações, poderão obrigar à realização de operações de recapitalização.

Os problemas financeiros do GES podem vir a forçar o banco a recorrer a medidas de reforço da liquidez e, até, dos capitais próprios, depois de, em junho, o BES ter concretizado um aumento de capital em que recolheu 1.045 milhões de euros. De acordo com o Jornal de Negócios, o BES tinha, no final de março, financiamentos de 9,7 milhões de euros contraídos junto do Banco Central Europeu (BCE) e este valor poderá ainda aumentar, já que o banco disporá de ativos avaliados em 18 mil milhões de euros, capazes de servir como garantia de novos empréstimos concedidos pela autoridade monetária de Frankfurt.

O registo de novas imparidades, relacionadas com a deterioração da carteira de crédito e a desvalorização de participações, poderão, por seu turno, obrigar à realização de operações de recapitalização, apesar de a solvabilidade se situar, atualmente, em 9,6%. Neste caso, o BES pode ter de recorrer novamente aos acionistas ou, em situação limite, ao dinheiro que o Estado ainda tem disponível para apoiar a solidez das instituições financeiras portuguesas, solução que o BES sempre quis evitar. Dos 12 mil milhões de euros disponibilizados pela troika para ajudar a banca, não foram utilizados 6,4 mil milhões de euros, recorda o Jornal de Negócios.