As taxas de crescimento elevadas da economia chinesa, a expansão do consumo privado e o poder de atração das marcas ocidentais foram uma importante fonte de vendas e lucros para muitos fabricantes de bens de consumo durante os anos mais recentes. Mas os tempos estão a ficar mais complicados por causa da competição apertada que está a ser feita pelas empresas locais.

Um estudo citado pela Reuters e efetuado pela Bain & Company e pela Kantar Worldpanel, que envolveu inquéritos a 40 mil famílias chinesas, revelou que 60% das marcas estrangeiras que operam no mercado local perderam quotas de mercado em 2013. Os mais afetados pela concorrência doméstica foram os fabricantes de cosméticos, escovas de dentes e de produtos destinados aos cuidados com a pele, que perderam mais de 5% do mercado durante o ano passado. Mas não foram os únicos a registar recuos.

O estudo concluiu que os produtores de cerveja, de papas para crianças até aos 12 meses e de artigos de limpeza também sofreram reduções situadas entre 1% e 3% nas fatias de mercado que controlam. Quanto a explicações para este fenómeno, o estudo não adiantou pormenores, mas referiu alguns exemplos sobre os novos desafios que os operadores estrangeiros estão a enfrentar na batalha pela segunda maior economia do mundo.

Os consumidores chineses estão cada vez mais disponíveis para fazerem compras online, o que transforma o país no maior mercado mundial para o retalho digital.

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No mercado dos refrigerantes, dizem a Bain & Company e a Kantar, a Hangzhou Wahaha Group aumentou a quota em 3,8%, à custa de fortes investimentos em publicidade e do lançamento de nova oferta, enquanto as marcas estrangeiras caíram 6,3%. Ainda assim, há produtores ocidentais que têm motivos para se darem por satisfeitos. É o caso da Henkel, empresa alemã que fabrica o champô Schwarzkopf e que alargou o respetivo peso no mercado chinês em 1,2%, ou da Mondelez International, segundo maior produtor global de café, cujos biscoitos Chips Ahoy! melhoraram a posição em 0,3%.

O estudo foi baseado em 106 categorias de bens de consumo que estão em crescimento acelerado na China, incluindo bebidas, comida processada, produtos de higiene pessoal e doméstica que representam mais de 80% do mercado local. Concluiu, igualmente, que os consumidores chineses estão cada vez mais disponíveis para fazerem compras online, o que transforma o país no maior mercado mundial para o retalho digital. Em 2013, as vendas através da internet treparam 42%.