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O Parlamento Europeu elege esta terça-feira o seu presidente para os próximos dois anos e meio e o socialista alemão Martin Schulz é o candidato mais bem posicionado depois do PPE, grupo político de centro-direita, e os socialistas europeus terem negociado uma maioria para o reeleger.

Mas não é só isto que os grupos políticos do centro-direita (onde estão os eurodeputados do PSD e do CDS) e centro-esquerda (onde estão os eurodeputados do PS) estão a debater. Há ainda outros cargos de topo em disputa em Bruxelas, assim como mais cinco anos de propostas politicas para serem viabilizadas contornando assim os euroceticos recém-chegados ao centro de decisão da Europa.

Os 751 eurodeputados eleitos no passado dia 25 de maio por 28 Estados-membros vão estar esta terça-feira pela primeira-vez juntos em Estrasburgo na sessão constitutiva do Parlamento Europeu, que servirá para eleger o presidente deste órgão – e os seus 14 vice-presidentes. Após o lugar na Comissão ter ido para Juncker, os socialistas europeus reclamaram a liderança do parlamento e o Partido Popular Europeu terá acedido à manutenção de Martin Schulz como principal representante dos eurodeputados – Schulz é presidente do Parlamento Europeu desde janeiro de 2012 e concorreu nestas eleições como cabeça de lista dos socialistas para suceder a Durão Barroso.

Mas há mais candidatos: pela Esquerda Europeia Unida (grupo integrado pelo Bloco de Esquerda e pela CDU) é candidato a super-estrela da política espanhol Pablo Iglesias, fundador do Podemos; Sajjad Karim é britânico e concorre pelos conservadores e Ulrike Lunacek, eurodeputada austríaca, vai a jogo pelos Verdes.

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Os restantes grupos políticos contentam este entendimento reclamando que esta não foi a vontade expressa pelos europeus nas eleições. “Se aceitarmos cegamente as instruções do acordo entre dois partidos para voltar a eleger Shulz, vamos ser complacentes com o Conselho Europeu. Os europeus vão ficar novamente de fora e perguntar-se para que serviram as eleições”, contestou Sajjad Karim, candidato dos conservadores. Há também quem acuse o diretório alemão de querer recriar no parlamento a coligação do governo de Merkel já que os dois líderes dos dois maiores grupos são alemães. A votação será secreta e vai acontecer a partir das 10 da manhã em Estrasburgo.

Um entendimento sobre o presidente e muito mais

Numa reunião, há uma semana em Bruxelas, Schulz que é também presidente do grupo socialista e Manfred Weber, presidente do PPE, definiram que iam formar uma maioria nesta votação, assim como acertar agulhas sobre outros temas de interesse comum aos dois partidos de modo a venceram a oposição do outros grupos políticos.

O PPE é a maior força política do Parlamento Europeu com 221 lugares e o grupo dos socialistas de denominado Socialistas e Democratas é a segunda com 191. Assim, e em conjunto, estes dois grupos têm 412 lugares em 751, conseguindo uma maioria por 36 assentos. Não conseguindo aprovar medidas sozinhos e sem poderem contar com o apoio dos liberais que agora caiu para quarta força política, depois dos conservadores, os dois maiores partidos vão ter de chegar a consenso em relação a muitas matérias de modo a verem viabilizadas as suas ideias num parlamento amplamente fraturado.

“Tivemos uma primeira discussão em como encontrar um entendimento que permita à maioria no Parlamento Europeu implementar reformas para o crescimento e criação, assegurando que a União Europeia está equipada par enfrentar os próximos desafios” disse o eurodeputado alemão Manfred Weber no fim da reunião. Os socialistas comprometeram-se a apoiar Juncker na votação no Parlamento Europeu que vai decorrer daqui a duas semanas, assim como foram determinadas outras concessões de parte a parte.

Uma dessas concessões pode ser a entrega de uma das mais importantes comissões aos socialistas. Roberto Gualtieri, eurodeputado italiano socialista, deve ser o novo presidente da Comissão de Economia e Assuntos Monetários do Parlamento Europeu que neste mandato tem em mãos temas tão quentes como a finalização da união bancária. O PPE deverá ficar à frente de outras comissões relevantes como a da Energia. Jerzy Buzek, antigo primeiro-ministro da Polónia e eurodeputado do PPE deverá ocupar a presidência desta comissão e assim liderar o processo da futura União Europeia da Energia.