Segundo dados revelados pelo Relatório Mundial sobre Drogas do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a Islândia é o país onde há mais consumidores de marijuana. Cerca de 55 mil dos habitantes desse país – quase um quarto da população – dizem consumir esta droga, apesar de ser considerada por muitos um produto caro.

De acordo com o site PriceOfWeed, que recolhe informações dadas pelos utilizadores sobre os preços da marijuana por todo o mundo, 28 gramas de cannabis de elevada qualidade custam, na Islândia, cerca de 940 dólares (aproximadamente 688 euros). A mesma quantidade, mas com uma qualidade média ficaria por 555 dólares (cerca de 406 euros).

Em março de 2013, Olafur Ragnar, presidente da Islândia, defendeu ser necessário legalizar o consumo de marijuana. “Temos de admitir que perdemos a guerra contra as drogas há muito tempo. É melhor impedir a marginalizarão de jovens do que mandá-los para a prisão por utilização de drogas leves cuja utilização é relativamente pouco nociva. Se permitimos a venda de álcool, não há nenhuma razão para continuarmos a proibir as drogas leves”.

Outros países com elevadas percentagens de consumidores de marijuana são os Estados Unidos (15% da população entre os 15 e os 54 anos), a Nova Zelândia (15% da população entre os 16 e os 64 anos), o Canadá (12% das pessoas com idades entre os 15 e os 54 anos) e a Nigéria (14% das pessoas na faixa etária entre os 15 e os 64 anos). Em Portugal, apenas 2,7% das pessoas com idades entre os 15 e os 64 anos diz consumir cannabis.

Entre 2013 e 2014, o Uruguai e os estados do Colorado e de Washington nos Estados Unidos legalizaram produção, distribuição e consumo de marijuana, impondo algumas condições. No Uruguai, por exemplo, os consumidores têm de estar registados numa base de dados que controla o total de compras feitas (só é permitida a cada pessoa comprar 40 gramas por mês). Segundo os dados divulgados pelo Gabinete da ONU para Drogas e Crime, apenas 8,3% dos uruguaios entre os 15 e os 64 anos consome cannabis. No Colorado não há um registo central, nem um limite de compras mensal, mas os consumidores só podem comprar até 28 gramas por loja.

Apesar de concluir que ainda é cedo para perceber os efeitos destas novas legislações, o relatório da ONU chama a atenção para o perigo de se verificar um aumento do consumo jovem porque diminui a percepção de risco associada à utilização de cannabis, mas também porque se torna mais fácil ter acesso a este produto. Para além disso, o UNODC alerta para a hipótese de a comercialização de marijuana poder dar origem a publicidade que incentiva o consumo.

O consumo de drogas no mundo manteve-se estável em 2012, segundo o mesmo relatório, que revela que cerca de 243 milhões de pessoas, ou 5% da população mundial entre os 15 e os 64 anos de idade, usaram drogas ilícitas.

O relatório foi divulgado no passado dia 26 de junho, durante o Dia Internacional Contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, e na altura, o Diretor Executivo do UNODC, Yury Fedotov, sublinhou a necessidade de se dar mais importância à saúde e aos direitos humanos de todos os consumidores de drogas, especialmente daqueles que injetam as substâncias e também daqueles que vivem com HIV.

“Há sérias lacunas na prestação de serviços. Nos últimos anos, apenas 1 em cada 6 consumidores de drogas no mundo teve acesso ou recebeu algum tipo de tratamento para dependência de substâncias”, disse Fedotov. O relatório revelou que em 2012 houve cerca de 183 mil mortes relacionadas com o consumo de drogas.