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A Oi anunciou esta quarta-feira, em comunicado, que já pediu esclarecimentos à Portugal Telecom (PT) acerca do financiamento de 987 milhões de euros que a empresa de telecomunicações concedeu à RioForte, holding do Grupo Espírito Santo (GES). A empresa brasileira, que está em processo de fusão com a PT, informou que tomará as “medidas necessárias à defesa dos seus interesses”, mantendo os acionistas e os mercados informados sobre o assunto.

No mesmo comunicado, a Oi afirma não ter sido informada sobre a operação de subscrição de dívida de curto prazo e não ter participado “das decisões que levaram à realização das aplicações de recursos em questão”. Na altura em que a PT efetuou a operação financeira, em abril de 2014, a subscrição e integração do capital da Oi pela Portugal Telecom já tinham sido realizadas.

Sobre esta controvérsia, a PT emitiu nesta quinta-feira um comunicado em que afirma ter “sempre
prestado à Oi (…) toda a informação por esta solicitada” e que “está fortemente empenhada na resolução desta
questão”. O documento acrescenta que a empresa “está a prestar todo o suporte à Oi nas diligências necessárias para garantir à Oi a máxima proteção da aplicação de tesouraria em papel comercial da Rioforte”, para concluir que “a PT está convicta de que as várias partes, PT, Oi e GES, serão capazes de encontrar as soluções adequadas para
proteger os interesses dos acionistas da PT e da Oi”.

A fusão da PT com a Oi foi anunciada em Outubro de 2013. Amílcar Morais Pires, atual administrador do BES, e José Maria Ricciardi, pesidente executivo do Banco Espírito Santo de Investimento, estavam indicados para administradores da nova empresa, mas o memorando da operação poderá ter de ser revisto, avança o Negócios, apesar de a fusão não estar em risco. A saída dos gestores brasileiros Otávio Azevedo e Fernando Portella do conselho de administração da PT já tinha suscitado a discussão em torno de uma possível mudança na governação, bem como a saída dos grupos Andrade Gutierrez e Jereissati.

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O financiamento de 897 milhões de euros à holding do Grupo Espírito Santo tem sido visto pelos analistas como uma operação de risco elevado.

Otávio Azevedo tinha anunciado ao jornal Valor Económico, na quarta-feira, que tinha decidido sair da PT por se sentir “desconfortável”. O ex-administrador referia-se ao facto de não ter tomado conhecimento do financiamento que envolveu a empresa e a holding do GES. O líder da construtora Andrade Gutierrez adiantou que o conselho de administração da PT, presidido por Henrique Granadeiro, não foi consultado sobre a subscrição do papel comercial da unidade do GES.

O financiamento de 897 milhões de euros à holding do Grupo Espírito Santo tem sido visto pelos analistas como uma operação de risco elevado devido às dificuldades financeiras que afetam, atualmente, empresas daquela estrutura. Os empréstimos são de curto prazo e vencem em meados de julho. A PT é detentora de cerca de 2% do capital do Banco Espírito Santo e a instituição financeira possui 10% das ações da PT.

A divulgação da operação provocou uma onda de vendas de ações da operadora de telecomunicações na Euronext Lisbon e a consequente desvalorização dos títulos e dois administradores da PT, que representavam interesses brasileiros, renunciaram as cargos, alegando que o conselho de administração da empresa, liderado por Henrique Granadeiro, não foi escutado sobre o tema.

A PT esclareceu que a “PT International Finance BV e a PT Portugal SGPS mantêm depósitos bancários junto do BES num total de 22 milhões de euros e a Portugal Telecom, SGPS depósitos bancários de 106 milhões de euros”.

Um comunicado ao mercado especificou que o financiamento foi concedido pela PT “através das então subsidiárias PT International Finance BV e PT Portugal SGPS SA” a uma “remuneração média anual de 3,6%”. A empresa revelou, ainda, que “todas as aplicações de tesouraria em papel comercial da RioForte atualmente em carteira têm vencimento em 15 e 17 de julho de 2014 (847 e 50 milhões de euros, respetivamente)”.

O documento expôs que “as operações de tesouraria [da PT] são realizadas num contexto de análise de várias opções de investimento de curto prazo disponíveis no mercado, tendo como referência a atratividade da remuneração oferecida, e têm acompanhamento e são sufragadas pela Comissão Executiva”, também presidida por Henrique Granadeiro.

A PT esclareceu que a “PT International Finance BV e a PT Portugal SGPS mantêm depósitos bancários junto do BES num total de 22 milhões de euros e a Portugal Telecom, SGPS depósitos bancários de 106 milhões de euros”. Estes valores “representam a totalidade da exposição [da PT] ao GES/BES”, garantiu a PT.