Os cuidados com as crias são, na maior parte das vezes, uma tarefa das mães. Um trabalho às vezes partilhado com as tias, como no caso das leoas – enquanto umas caçam, outras tomam conta da “creche”. Embora também haja casos em que nenhum dos progenitores chega sequer a ver a prole, como as tartarugas marinhas – os ovos ficam na praia e tartarugas recém-nascidas têm de vencer todos os desafios sozinhas.

Depois temos os pais dedicados, aqueles que por vontade, imposição ou instinto tomam conta das crianças. Todo o macho que defende um território e um grupo está indiretamente a tomar conta da descendência. Voltando aos leões, como o macho tem a certeza que é o pai dos filhotes tem alguma paciência para brincar com eles. Nalguns primatas estas relações podem tornar-se mais fortes enquanto se catam. Nas aves, embora os machos normalmente não choquem os ovos, ajudam as fêmeas a alimentar as crias e juvenis.

1. Meninos do papá

Um cavalo-marinho pode dar à luz centenas de crias de uma vez. O macho, porque é este que engravida. Os cavalos-marinhos, como o Hippocampus hippocampus que vive na costa portuguesa, são peixes. E tal como nos animais que produzem ovos é a fêmea que o faz, mas esta é a única semelhança. A partir de um orifício que a fêmea e o macho têm na barriga ela passa os ovos para o macho que os vai fertilizar e transportar durante mais de um mês.

No fim do tempo de gestação ele tem contrações fortes e lança centenas de pequenos cavalos-marinhos para o exterior, como se vê aqui. Apesar de exausto depois deste parto múltiplo o macho não tem muito tempo para descansar, a fêmea já tem a barriga cheia de ovos para lhe passar novamente. Apesar de terem tantas crias os cavalos-marinhos estão ameaçados. Além de serem presa para outros animais, os locais onde vivem estão a ser destruídos pela pesca excessiva e as pessoas continuam a apanhá-los como se de um objeto de decoração se tratasse.

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O macho de sapo-parteiro-comum, tal como o macho de sapo-parteiro-ibérico, transporta os ovos nas patas traseiras – Christian Fischer/Wikimedia Commons

 

2. Os filhos pendurados nas pernas

Os anfíbios têm várias estratégias para deixarem os ovos, mas uma coisa é comum: têm de se manter sempre húmidos. Uns deixam-nos nos rios e charcos, outros em pequenas cavidades com água nas árvores. Podem estar livres ou presos às folhas, podem estar presos por uma espécie de cordão como um colar de contas ou envoltos por uma bolsa de muco. Outros são transportados pelos progenitores.

O macho de sapo-parteiro-ibérico transporta todos os ovos que fertilizou durante uma época reprodutiva. São cerca de 300 ovos unidos por um cordão e presos nas pernas – as posturas das fêmeas podem chegar aos 100 ovos e os machos podem ter a sorte de conquistar três ou quatro numa só época. Quanto mais grave a vocalização, mais atrativa será para a fêmea e maior a probalidade de acasalar. Durante três a cinco semanas o macho tem de manter os ovos húmidos – se secarem, morrem. E na altura da eclosão tem de estar perto de charcos ou ribeiros para libertar os girinos.

3. Proteger as esmeraldas preciosas

A maior parte das fêmeas fica no choco, senta-se sobre os ovos para os manter quentes durante o período de incubação. Depois, ou as crias se mantém-no ninho alimentadas pelos pais durante uns meses, como nas cagarras, ou saem poucas horas depois e seguem a mãe para todo o lado, como nas galinhas.

Mas existem aquelas que seguem o pai para todo o lado durante nove meses. São os casuares. Nesta espécie é o macho que tem de chocar os três a cinco ovo de cor verde brilhante deixados pela fêmea. Também foi ele que preparou o ninho no chão – uma pequena cova revestida de folhas – num território que é da responsabilidade dele defender.

Dançou em volta da fêmea, inchou a garganta e vocalizou para a conquistar, mas depois da postura ela partiu em busca de outro macho. Numa época reprodutiva a fêmea pode fazer duas ou três posturas.

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Os ovos de casuar são verde brilhante – HTO/Wikimedia Commons

4. Salta para as cavalitas

Umas das imagens que temos das crias de primatas é quando estão agarradas ao pêlo das mães, na barriga enquanto são muito bebés ou às costas quando crescem mais um pouco. Quando são mais velhos podem ser transportados pelas tias ou por juvenis, mas há casos em que são os machos que as transportam a maior parte do tempo.

As fêmeas de mico-leão-dourado são dominantes e não deixam que as outras fêmeas se reproduzam com os machos do grupo. A fêmea têm uma ou duas crias e todos os elementos do grupo colaboram no tratamento delas, mas é o macho quem mais se ocupa do transporte. Este comportamento é comum entre pequenos primatas – micos e saguins.