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Acabou. O Brasil deixou de ter craque. Para Neymar, o moleque que, aos 22 anos, carregava o peso de ser a estrela da seleção brasileira, o Mundial acabou. O camisola dez da seleção brasileira fraturou a terceira vértebra lombar, por culpa de uma joelhada de Camilo Zúñiga, que, aos 87 minutos da partida dos quartos de final da Copa do Mundo, contra a Colômbia, o atingiu nas costas. A lesão foi confirmada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O encontro estava quase a acabar. O marcador mostrava um 2-1, sinal de vantagem para o Brasil e de esperança para os colombianos. Quando três minutos faltavam para completar hora e meia de futebol no Estádio Castelão, em Fortaleza, uma bola chega perto de Neymar. Enquanto a tentava dominar, o brasileiro leva uma joelhada nas costas de Zúñiga. O moleque cai. Fica deitado no relvado. O jogo continua.

Segundos depois, o árbitro interrompe a partida e aproxima-se do brasileiro. É mau. Neymar queixa-se. Tapa a cara com as mãos. Mostra sinais de sofrimento. Venha o médico. “É uma lesão que limita os movimentos. Ele precisará de usar uma cinta lombar para imobilizar o local”, diria, após o jogo, Rodrigo Lasmar, responsável do departamento médico da seleção brasileira.

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Neymar só abandonaria o Estádio Castelão de maca. Minutos depois, o encontro acabava. Festa — o Brasil passava às meias-finais da ‘sua’ Copa e confirmava um duelo com a Alemanha, na terça-feira, em Belo Horizonte, para as meias-finais da competição. Horas depois, a pior notícia confirmava-se: a seleção não poderia contar com o craque, o tal que, em 54 jogos pela canarinha, marcara já 35 golos. “Neymar se cuidou tanto para este Copa. Fico triste. Vamos correr mais ainda para lhe dar o título”, diria depois Hulk, avançado brasileiro.

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“Ele vai sentir dor por um certo tempo, precisa de uma imobilização, de uma cinta lombar para o controle da dor. Infelizmente não vai ter condições de jogar. O prazo de uma semana é muito curto para que ele tenha condições de voltar”, explicou Rodrigo Lasmar, à Globoesporte.

Maldita lesão. Neymar foi direto do estádio para o Hospital de São Carlos, em Fortaleza. Por lá ficou durante quase duas horas, escreveu o diário Estadão, onde foi submetido a uma ressonância magnética e esperou para que lhe fosse colocada uma cinta lombar. “Vai precisar de algumas semanas para estar de volta. Está muito abatido, triste e chateado”, revelou Rodrigo Lasmar. Estima-se que o tempo de recuperação demore entre quatro a seis semanas, o suficiente para também afetar a pré-época com o Barcelona, clube espanhol onde alinha Neymar.

Júlio César, guarda-redes titular da seleção brasileira neste Mundial, admitiu que, para a equipa, “é uma tristeza enorme” perder Neymar. “A gente sabe quanto o Ney queria brilhar nessa Copa. Fui pego de surpresa, a tristeza é enorme e é até difícil falar, porque é um garoto espetacular. Acho que o Neymar, se tivesse que mandar um recado para a gente, diria ‘Galera, bola para a frente que eu quero estar lá no dia 13 com vocês'”, afirmou o jogador.

Já Camilo Zúñiga, defesa colombiano autor da entrada sobre Neymar, defendeu que “foi uma jogada normal” e que “nunca [teve] intenção de fazer mal” ao brasileiro. “Quando estou em campo, faço de tudo para defender meu país. [Mas] não fui para a jogada esperando que ele fraturasse a coluna, estava defendo minha camisa, meu país. É uma coisa muito triste para um jogador, mas espero que, com a ajuda de Deus, não seja nada mais grave e que ele melhore, pois todos sabem que é um grande talento para o Brasil”, explicou o jogador do Nápoles, clube italiano.

FIFA vai investigar

Neymar fora da Copa. Tragédia para o Brasil. Porquê? É preciso contextualizar. O camisa dez da seleção brasileira levava quatro golos marcados neste Mundial. Na fase de grupos, foi considerado pela FIFA como o melhor em campo nos jogos frente à Croácia (partida inaugural da prova, na qual o Brasil venceu por 3-1) e contra o México (0-0). Aos 22 anos, Neymar já é o sexto melhor marcador da história da seleção brasileira, com 35 golos.

Era ele, o precoce craque, em quem 200 milhões de brasileiros confiavam. Dos seus pés podia vir tudo: golos, dribles, passes para golo e, sobretudo, a magia que tanto falta à equipa montada por Luiz Felipe Scolari. É uma grande perda. Tão grande que a CBF estará a ponderar submeter uma queixa à FIFA contra Camilo Zúñiga.

A notícia foi avançada pelo Folha de São Paulo. Citando uma fonte da Confederação Brasileira de Futebol, o diário escreveu que a entidade pretende que a FIFA aplique um castigo ao colombiano semelhante à sanção dirigida a Luis Suárez — jogador uruguaio que o órgão que gere o futebol internacional suspendeu por nove jogos e quatro meses de competição, após morder o ombro do italiano Giorgio Chiellini, no terceiro jogo da fase de grupos, entre o Uruguai e a Itália.