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A Bundeskartellamt, autoridade alemã que regula a concorrência e o fenómeno da cartelização, aplicou coimas a 21 fabricantes de salsichas no valor de 338 milhões de euros, pela combinação ilegal de preços. O esquema já duraria há várias décadas e envolve mesmo o maior produtor de enchidos alemão, Zur Mühlen-Gruppe, que nega as acusações.

O acordo de fixação de preços começou por ser cozinhado no Hotel Atlantic, em Hamburgo, onde durante muitos anos os responsáveis das empresas agora multadas se encontraram para debater a evolução do mercado de salsichas, que na Alemanha representa uma parte significativa do negócio da alimentação. Foi por isso que este conjunto de empresas ficou conhecido por “Grupo Atlantic”, que pelo menos a partir de 2003 combinou um aumento de preços da venda grossista de salsichas. “Devido à heterogeneidade dos produtos”, lê-se no comunicado da Bundeskartellamt, “não era possível estabelecer preços para os produtos individualmente, pelo que estes eram definidos para grupos de produtos”. De acordo com o site German Food Guide, existem mais de 1.500 tipos diferentes de salsichas wurst, a salsicha tipicamente alemã.

“Os acordos de combinação de preços foram feitos durante muitos anos. O montante total das coimas parece alto à primeira vista, mas tem de ser visto tendo em conta o grande número de empresas envolvidas, a duração do cartel e os milhares de milhões de lucro que este mercado tem”, declarou Andreas Mundt, presidente da Bundeskartellamt. O mesmo valor de coima, 338 milhões de euros, havia já sido aplicado, no início do ano, a 11 fabricantes de cerveja pelo mesmo motivo.

Também algumas das maiores companhias de produção de açúcar do país foram multadas em 280 milhões de euros por combinação de preços. Estes montantes podem representar um amargo de boca para muitos, mas para a Bundeskartellamt significam um aumento exponencial de dinheiro arrecadado em coimas: de 240 milhões de euros em 2013 para 900 milhões neste ano, até ao momento.

A autoridade alemã começou por ser alertada por uma denúncia anónima para o fenómeno de cartelização neste setor, tendo-se seguido uma investigação que levou a que 11 empresas confessassem a prática. “A cooperação das empresas foi tida em conta como um fator de mitigação no cálculo das coimas”, explica a Bundeskartellamt, que adianta ainda que os visados podem ainda recorrer desta decisão. É um caminho que, afirma o Guardian, o Zur Mühlen-Gruppe, planeia seguir.

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