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Melinda Gates, vice-presidente da Fundação Bill & Melinda Gates, estreou-se esta quarta-feira a escrever artigos de opinião para o jornal inglês Telegraph. E deu este título ao seu primeiro texto: “Why you must stand up to your mother-in-law” – “Porque devemos fazer frente às nossas sogras”, em tradução livre. Que a relação entre sogras e as suas noras e/ou genros tem fama de não ser pacífica não é novidade; que seja Melinda Gates a dizê-lo já pode parecer mais inusitado. Mas a mulher do segundo homem mais rico do mundo, Bill Gates, recorre às sogras e conta uma história sobre contracetivos e de como isso “pode mudar o mundo”, nas suas próprias palavras.

“Sharmila vive numa vila pobre do distrito de Patna, na Índia”, relata Melinda. “Quando conheci a Sharmila no ano passado, ela acabara de ter o seu quarto filho, uma bebé chamada Babita. O marido de Sharmila e os seus pais [do marido] queriam que ela continuasse a tradição e tivesse o seu próximo filho logo de seguida, mas Sharmila estava preocupada com o facto de a sua família não ter condições para sustentar mais crianças”.

Sharmila dirigiu-se então a um centro de saúde, onde ficou a par de técnicas de contraceção e de planeamento familiar. Conseguiu convencer o marido da necessidade de recorrer a métodos contracetivos, mas não a sua sogra. “Na cultura de Sharmila, as sogras têm tradicionalmente muito do poder de decisão na gestão da casa e a sogra de Sharmila espera ser consultada em todas as decisões relativas ao planeamento familiar [da nora]”, explica Melinda Gates. A sogra de Sharmila opôs-se a que a nora usasse contracetivos e Sharmila desobedeceu-lhe.

“Não foi fácil, mas ela fez frente à estrutura de poder, não se calou e exigiu mais para a sua família do que a sociedade lhe havia ensinado a esperar”, comenta Gates, que adianta que “hoje, a família de Sharmila consegue focar os seus recursos limitados na preparação do melhor futuro possível para Babita e os seus irmãos.”

“Quando mulheres como Sharmila encontram a coragem para levantar os braços [stand up, no original] e não se calar – mesmo no meio de normas sociais tão intrincadas – devemos apoiá-la [we owe it to her to stand behind her, no original], afirma Melinda Gates, para quem as mulheres têm um papel importante para a melhoria de condições de vida no mundo inteiro.

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