Uma multidão matou este domingo duas crianças e a avó, depois de uma publicação no Facebook considerada “insultuosa”, segundo as agências noticiosas.

As crianças – uma delas era ainda bebé e a outra tinha sete anos – são irmãs e, juntamente com a avó, pertenciam ao grupo ahmadi, uma seita fundada no século XIX que se considera muçulmana, mas acredita noutro profeta que não Maomé. Em 1984, uma lei paquistanesa declarou que os membros deste movimento não são muçulmanos. Muitos consideram-nos hereges.

Estas mortes ocorreram na noite de domingo na cidade de Gujranwala, a 220 quilómetros da capital Islamabad. Segundo o Telegraph, uma discussão entre jovens terá estado na origem do incidente. Um dos jovens é ahmadi e foi acusado pelo outro de publicar uma fotografia insultuosa da Caaba, a estrutura em forma de cubo na Grande Mesquita de Meca, que é um dos principais locais de peregrinação dos muçulmanos. Alegadamente, essa imagem continha cenas de nudez.

Pode ler-se no jornal britânico que, de acordo com a lei de 1984, os ahmadis não podem usar saudações muçulmanas, nem rezar as mesmas orações. Estão igualmente proibidos de chamarem ‘mesquita’ aos seus locais de culto.

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Depois desse desacato, uma multidão de cerca de 150 pessoas deslocou-se à esquadra de polícia para fazer queixa do jovem. Ao mesmo tempo, uma outra multidão começou a atacar e a incendiar casas de população ahmadi.

O jovem que terá publicado a fotografia no Facebook não ficou ferido, mas as duas crianças e a avó terão morrido sufocadas devido ao fogo. Uma outra mulher acabou por abortar e foi hospitalizada.

O porta-voz da comunidade ahmadi, Salim Ud Din, disse que este foi o pior ataque ao grupo desde as mortes de 86 membros do movimento há quatro anos. Ud Din acusou as autoridades de nada fazerem para travar a multidão, mas a polícia rejeitou esta queixa.