Elogios. Sorrisos. Toque na perna. O ambiente foi bastante positivo na reunião entre o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, e o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky. Longe ficaram as imagens da discussão na Sala Oval em fevereiro de 2025. Aliás, o chefe de Estado norte-americano descreveu que tem uma “relação muito forte” com o líder da Ucrânia e elogiou-o. “Os combatentes [ucranianos] podem estar orgulhosos”, disse, acrescentando: “Têm uma liderança muito capaz.”

Numa reunião que manteve com Donald Trump na sede da ONU em Nova Iorque, onde decorre o debate geral da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, o Presidente ucraniano manifestou esta terça-feira o desejo de pôr fim ao conflito com a Rússia antes do inverno e afirmou contar com a ajuda do homólogo norte-americano para isso.

Antes do encontro, as perguntas dos repórteres dirigiram-se exclusivamente a Donald Trump, que se mostrou evasivo em todas as suas respostas. Questionado sobre se Washington permitirá que Kiev fabrique mísseis intercetores para os sistemas Patriot norte-americanos, o líder norte-americano respondeu que era algo possível e antecipou que o assunto seria abordado por ambos com as respetivas equipas presentes assim que os jornalistas saíssem da sala.

Por sua vez, após a reunião, Volodymyr Zelensky não confirmou que a Ucrânia vá produzir mísseis para os sistemas Patriot, mas indicou estar “grato” pelas delegações “continuarem a trabalhar” nesse assunto. “Isso vai proteger a população e ajudar a população este inverno.”

O líder republicano tinha prometido em julho, durante a cimeira da NATO em Ancara, que lhe concederia as autorizações necessárias para fabricar estes mísseis de defesa aérea, mas depois recuou em algumas das suas declarações. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou numa entrevista à Fox News no início do mês que Washington e Kiev continuavam a negociar as licenças para produção do armamento em solo ucraniano, mas advertiu que, mesmo que se concretize, o processo levaria anos.

Os jornalistas presentes também questionaram o líder republicano se considerava possível uma futura reunião a três que incluísse o homólogo russo, Vladimir Putin, que Zelensky propôs para a cimeira do G20 que se realizará em Miami no mês de dezembro. Donald Trump limitou-se a dizer que Putin está disposto a encontrar-se com ele, tal como já fez no Alasca, em agosto de 2025.

Posteriormente, Donald Trump reafirmou que tanto Zelensky como Putin querem pôr fim à guerra. Sobre a lei recentemente aprovada pelo Congresso que lhe confere poderes para impor direitos aduaneiros aos países que financiem o esforço de guerra do Kremlin através da compra de petróleo russo, limitou-se a referir que é “muito severa” e que lhe confere grandes poderes.

Questionado ainda sobre se iria abordar o assunto na reunião que tem agendada com o Presidente chinês, Xi Jinping, não deu uma resposta clara e passou a elogiar a sua relação com o líder de Pequim.

Em relação a um eventual cessar-fogo energético, que Donald Trump deseja ver entre a Rússia e a Ucrânia, o Presidente ucraniano garantiu que o país está “pronto” para o aceitar — em “qualquer tipo de formato”. No entanto, Volodymyr Zelensky deixou clara uma exigência: “A Rússia não pode atacar a nossa infraestrutura energética”.

O líder da Ucrânia assegurou também que Vladimir Putin “não está a ganhar no campo de batalha”. Isso é um “problema” para o chefe de Estado russo, porque “tem de mostrar isso à opinião pública interna” — e arcar com as consequências disso.

[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]