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Reino Unido

Os banqueiros devem fazer um juramento de boa-fé?

No Reino Unido está para ser divulgado um relatório sobre a revisão dos padrões da banca que pede mais supervisão. Um juramento de boa conduta, como o que fazem os médicos, está em cima da mesa.

Banqueiros britânicos podem vir a ter de fazer juramento no início da carreira

AFP/Getty Images

Juro fazer o meu melhor com vista a satisfazer as necessidades dos clientes. É meu primeiro dever fornecer uma qualidade exemplar de serviço e apresentar um dever de obrigação e cuidado acima do que é exigido por lei”.

É este o voto que os banqueiros britânicos podem vir a ter de jurar no início das suas funções, tal como os médicos o fazem no início da carreira. Pelo menos é essa a recomendação de um antigo-diretor da Confederação de Indústria Britânica, uma das maiores organizações de trabalhadores independentes do Reino Unido, que se prepara para divulgar um relatório onde defende a necessidade de os banqueiros jurarem a sua boa-fé.

Richard Lambart, que também já foi editor do Financial Times e ex-membro do Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra, é quem está por detrás da ideia do juramento como parte de um processo mais extenso de reabilitar a indústria bancária, numa altura em que a crise financeira global revelou a necessidade de mudanças estruturais no sistema.

Segundo o jornal britânico The Telegraph, o relatório final onde consta esta sugestão deverá ser divulgado na terça-feira em Londres. As fontes contactadas pelo jornal indicam que Richard Lambart irá mostrar-se a favor do “juramento”, apesar de ter rejeitado essa ideia quando, em fevereiro, coordenou a elaboração do relatório inicial sobre a revisão dos padrões do setor bancário.

Nessa versão original, intitulada “Banca virtuosa: implementar ética e propósito no coração da banca”, que foi escrita pelo think thank britânico ResPublica, liderado pelo professor de ciência política Phillip Blond, o ex-jornalista já tinha levantado a questão da necessidade de haver um juramento, mas a ideia caiu por terra e não foi incluída no relatório, sendo substituída pelo estabelecimento de um novo organismo que monitorizasse a ação das instituições bancárias. Agora poderá voltar a ser falada, e equacionada.

No relatório inicial, que saiu a público em fevereiro, defende-se que enquanto o Governo tem conseguido uma regulação prudente para limpar a imagem do setor bancário com o rebentar da crise financeira, o que tem falhado é a necessidade de promover “virtude” dentro das grandes instituições bancárias.

Assim, a par do juramento de início de carreira, o relatório promove a criação de um novo organismo para policiar o setor que, não tendo poderes legais de regulação, obrigará os bancos a serem submetidos a avaliações anuais sobre a sua ação.

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