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22 comissários já estão nomeados, só faltam seis. Entre os escolhidos pelos Estados-membros há três mulheres, alguns comissários de Durão Barroso que vão ficar na nova equipa de Juncker, três antigos primeiros-ministros, muitos ministros e ex-ministros e um secretário de Estado (Carlos Moedas). A equipa ainda não está completa, mas já é possível antecipar as lutas de poder no próximo mês pelas principais pastas da Comissão.

A contagem não acabou porque seis países ainda não anunciaram o seu comissário – a Eslovénia deu quatro nomes a Juncker e será ele a escolher quem quer, Bélgica e Bulgária não respeitaram o deadline, enquanto Holanda, Chipre e Dinamarca já terão anunciado o seu nomeado em privado ao presidente da Comissão -, no entanto, a nova equipa de Juncker já se está a compor. O novo presidente da Comissão ainda pode pedir aos países que alterem alguns nomes, especialmente devido à falta de nomeadas – um problema pois Juncker comprometeu-se a ter igualdade de género na comissão liderada por si -, mas a margem de manobra torna-se mais apertada quando os países apresentam nomes com grande peso político.

Até ao final de agosto, altura em que o Conselho Europeu vai voltar a reunir para discutir os cargos de topo que ainda faltam distribuir – Alto Representante da UE, que é também cargo de comissário, o presidente do Conselho Europeu e o presidente do Eurogrupo -, estão em disputa as pastas entregues a cada país e alguns Estados-membros apostaram forte nos seus nomeados. Tal como o Observador já tinha anunciado, Juncker vai ter três ex-primeiros-ministros na sua equipa e muitos executivos europeus abriram mão de ministros fortes para lutar por uma boa posição em Bruxelas nos próximos cinco anos.

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Bruxelas é destino de ex-primeiros-ministros e ministros europeus

Andrus Ansip da Estónia, Jyrki Katainen da Finlândia e Valdis Dombrovskis da Letónia são três ex-primeiros-ministros que rumam a Bruxelas em busca de pastas fortes para os seus países. O finlandês tinha a expetativa de manter a pasta dos Assuntos Económicos, até agora detida pelo conterrâneo Olli Rehn – que agora é eurodeputado – e que detém até a nova comissão tomar posse, mas já terá desistido dessa ideia em troca do lugar de comissário do Comércio. Tanto Ansip como Dombrovskis estão à espera de posições de relevância devido ao seu peso político.

As posições de relevância nos próximos cinco anos estão muito ligadas aos temas económicos e esta é uma área altamente disputada na arena europeia. A França nomeou Pierre Moscovici, ex-ministro das Finanças de Hollande como comissário, Espanha apostou em Miguel Arias Cañete, ex-ministro da Agricultura, mas tem os olhos numa pasta económica e da Holanda pode vir Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, e o candidato com mais peso para assumir o cargo dos Assuntos Económicos ou mesmo a nova pasta a criar por Juncker, a dos Serviços Financeiros. Também o nomeado de Portugal, Carlos Moedas, secretário de Estado-Adjunto, que até ao fim do resgate tratou com a troika, está a ser falado para uma pasta com perfil económico.

Um dos cargos mais na moda nos executivos europeus para enviar para Bruxelas é o de ministro dos Negócios Estrangeiros. Matteo Renzi, primeiro-ministro de Itália, oficializou esta sexta-feira a nomeação da sua ministra dos Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, enviando mesmo uma carta a Juncker para explicar a sua escolha e defender novamente a sua ministra para o cargo de Alta-Representante das relações externas da UE. Para além da oposição dos países de Leste a esta nomeação – Federica é acusada de manter relações privilegiadas com Putin, tendo ido a Moscovo em julho para se encontrar com o Presidente russo no meio do conflito ucrâniano – a vida de Renzi foi dificultada pela Polónia e pela Hungria que também enviaram para Bruxelas os seus atuais líderes da diplomacia, Radoslaw Sikorski e Zsolt Nemeth.

(From L) Dutch Foreign Minister Frans Timmermans, Polish Foreign Minister Radoslaw Sikorski and Italian Foreign Minister Federica Mogherini confer prior to a meeting of Foreign Affairs Minister of the European Union and Asia at the EU Council building in Brussels on July 23, 2014. AFP PHOTO / THIERRY CHARLIER        (Photo credit should read THIERRY CHARLIER/AFP/Getty Images)

Radoslaw Sikorski (centro), ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia e nomeado para Bruxelas, e Federica Mogherini (direita), nomeada pela Itália, conversam antes da reunião e ministros dos Negócios Estrangeiros da UE

Outros ministros que abandonam o executivo para se juntarem à Comissão são Phil Hogan, ministro do Ambiente da Irlanda, Vytenis Andriukaitis, ministro da Saúde da Lituânia, Karmenu Vella, ministro do turismo de Malta, Vera Jourova, ministra do Desenvolvimento Regional da República Checa e o ministro da Defesa da Grécia, Dimitris Avramopoulos.

Alemanha, Roménia, Áustria, Eslováquia, Croácia e Suécia optaram por manter o seu comissário atual em Bruxelas por mais cinco anos. A experiência acumulada e a esperança na manutenção da atual pasta são os principais fatores para esta escolha. Respetivamente, estes países detêm a pasta da Energia, Agricultura, Desenvolvimento Regional, Relações Inter-institucionais e Administração, Defesa do Consumidor e Assuntos Internos. Merkel estará particularmente interessada em manter Gunther Oettinger na pasta da Energia devido à possível concretização da União Europeia da Energia nos próximos anos e à dependência que o país tem do gás russo.

A maior dúvida nesta equipa continua a ser Jonathan Hill, ex-líder da Câmara dos Lordes, e que foi apontado por David Cameron no meio da remodelação, como o comissário do Reino Unido. Teve responsabilidades no governo britânico na área da Educação e o primeiro-ministro pode querê-lo numa pasta como o Mercado Único.