Narciso era tão belo que apaixonou-se pelo próprio reflexo na água, conta-nos uma história da mitologia grega. Foi daqui que surgiu o termo narcisismo, a auto-admiração do próprio aspeto, numa das suas interpretações. Talvez o melhor exemplo do mito de Narciso no século XXI seja uma moda que veio para ficar: as selfies. Mas se queremos ser admirados e não ficar arrependidos, convém que a fotografia não fique horrível. Tirar uma selfie é uma ciência e o jornal espanhol ABC recolheu algumas dicas.

Encontramos uma celebridade no shopping e não conseguimos resistir: temos de tirar um selfie com ela. Se o Presidente norte-americano, Barack Obama, tira, porque é que não podemos nós? A selfie é tirada e logo de seguida partilhada nas redes sociais, em menos 60 segundos. Venham os likes? Não, o arrependimento. Afinal não estava assim tão bem na fotografia, pensamos.

Não se precipite. Uma boa fotografia requer uma boa preparação. Não basta colocar o telemóvel na posição horizontal, esticar o braço e carregar no botão. É preciso ter em conta a altura a que a câmara está, o fundo, a iluminação e, claro, a própria pose. Não há editores de imagens ou efeitos no Instagram que salvem tudo.

  • O fundo é fundamental. Em muitas ocasiões só focamos a fotografia no rosto e esquecemo-nos no cenário que está à volta. É preciso ter atenção aos objetos estranhos, pessoas, camas por fazer, artigos de higiene – alerta casa de banho – ou até objetos íntimos que o mundo não precisa de conhecer. Na verdade, o melhor cenário está longe de ter paredes: a natureza. Nada se compara a um fundo vegetal ou marinho, escreve o ABC.
  • Atenção à pose. O objetivo de uma selfie é sair o mais atrativo possível e, em algumas situações, tentamos parecer-nos com modelos, que realmente sabem pousar diante de uma câmara. O melhor é não forçar, tentar parecer o mais natural possível. Um sorriso artificial é fácil de distinguir na fotografia e acentuar os próprios lábios, comummente conhecido por Duckface, nem sempre é atrativo. A culpa não está na câmara: repetir até acreditar. Nem é o inimigo, mas falsificar emoções não é a melhor ideia para não se arrepender mais tarde de uma selfie.
  • Atenção ângulo da câmara. Não é preciso tirar todas as fotos de frente, como se tratasse de uma mugshot, foto de arquivo policial. Podem girar a câmara se pretendem experimentar e descobrir qual é o vosso melhor ângulo. Uma premissa básica: não focar diretamente no objeto. O melhor é aparecer numa das esquinas do enquadramento da câmara. Um bom truque pode ser fechar os olhos, contar até três e abri-los no momento do disparo, aconselham alguns especialistas em selfies – sim, existem. 
  • Cuidado com a luz. É preciso evitar as contraluzes e luzes muito fortes. Uma iluminação ténue pode dar um ambiente misterioso, o que resulta num aspeto mais atrativo, recomenda o jornal.
  • Uma foto tirada de cima vai fazer com que a cabeça e nariz fiquem muito grandes, lembra.
  • Para evitar sombras, os fotógrafos recomendam evitar a luz direta do sol quando se está em exteriores. E se está em interiores, evitar os focos de luz sobre a cabeça.

Para finalizar, o melhor conselho é deixar o narcisismo de fora: a naturalidade é a nossa melhor aliada, conclui o ABC.