A Venezuela vai fechar a sua fronteira com a Colômbia durante a noite a partir desta segunda-feira para evitar o contrabando de toneladas de produtos venezuelanos – entre os quais combustíveis e bens alimentares, para o país vizinho. O encerramento da fronteira dura das 22h de cada noite até às 5h da manhã seguinte. Além disso, os veículos pesados não poderão passar de um país para o outro a partir das 18h.

O fecho da fronteira foi acordado entre o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o seu homólogo colombiano Juan Manuel Santos numa cimeira realizada entre os dois países no dia 1 de agosto. “Trata-se de um encerramento em toda a fronteira, isto é, os 2.200 quilómetros entre a Venezuela e a Colômbia”, explicou Vladimir Padrino López, chefe estratégico das Forças Armadas do país e que será responsável pela operação.

No encontro mantido entre Maduro e Santos, o contrabando foi um dos principais temas em discussão. Os produtos venezuelanos são largamente subsidiados pelo Estado e têm preços controlados. Quando atravessam a fronteira, são vendidos por um valor que pode chegar a ser dez vezes superior. Isto tem levado a que haja falta de bens essenciais e combustível em algumas zonas fronteiriças da Venezuela e, do lado colombiano, a perdas substanciais em impostos para o Estado e a queixas de concorrência desleal por parte dos empresários.

Segundo o governo venezuelano, o contrabando de combustível entre os dois países atinge os 100 mil barris de petróleo todos os dias, o que representa perdas na ordem dos 3,7 milhões de dólares (perto de 2,76 milhões de euros) anualmente. Desde o início de 2014, as autoridades já conseguiram apreender 40 milhões de litros de petróleo e mais de 21 mil toneladas de bens alimentares. “Esta quantidade de comida dava para alimentar 700 mil pessoas durante um mês”, referiu Vladimir Padrino López, que acrescenta que perto de 40% dos alimentos produzidos na Venezuela acabam por ir parar à Colômbia.