O Novo Banco vai apresentar na próxima semana propostas de compra de papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo aos clientes que subscreveram esses títulos aos balcões do BES.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o Novo Banco (que resultou da cisão do BES, ficando com os ativos e passivos considerados não problemáticos) disse que “está determinado em comprar aos clientes de retalho do Novo Banco o papel comercial da ESI [Espírito Santo International] e RioForte, subscritos na rede de retalho do BES até 14 de fevereiro de 2014” e que conta fazer propostas nesse sentido aos clientes já “nos primeiros dias da próxima semana”.

A instituição liderada por Vítor Bento afirmou que o processo “sofreu algum atraso, face ao que era desejado” devido “à necessidade de acerto de algumas questões técnicas com o Banco de Portugal, nomeadamente salvaguarda de obrigações prudenciais e de outras obrigações que resultaram do próprio processo de resolução”.

O Banco de Portugal esclareceu hoje que o Novo Banco pode vir a reembolsar dívida emitida por empresas do Grupo Espírito Santo e vendida aos clientes do BES, aos balcões do banco, mas desde que esse pagamento não ponha financeiramente em causa a instituição.

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Apesar de ter reafirmado que o Novo Banco não é devedor, o BdP disse que o Novo Banco pode decidir reembolsar esses instrumentos caso se “revelem importantes para a preservação da relação de confiança com os clientes”, mas que para isso tem de “assegurar um impacto positivo ou neutro ao nível dos resultados, rácios de capital e posição de liquidez”.

Nos últimos tempos, tem sido questionado a quem caberá reembolsar a dívida emitida por empresas do GES vendidas ao balcão do BES, com clientes do banco a virem a público afirmar que vão recorrer ao Tribunal para serem ressarcidos do dinheiro investido.

Nas contas do primeiro semestre do BES, em que o banco apresentou prejuízos históricos de 3,6 mil milhões de euros, é dito que a 30 de junho havia 3,1 mil milhões de euros de títulos de dívida emitidos por empresas do GES e subscritos por clientes do Grupo BES. Destes, dois mil milhões de euros tinham sido tomados por clientes institucionais e 1,1 mil milhões de euros por particulares.