Se vive sozinha, não coloque o seu nome na caixa do correio, feche as cortinas de casa à noite e tenha sempre as luzes de duas divisões acesas para aparentar movimento. Estes são apenas alguns dos conselhos que o Ministério do Interior dá às mulheres espanholas para evitarem violações. Várias deputadas da oposição já se manifestaram contra estes conselhos institucionais, dizendo que apenas servem para culpabilizar as mulheres.

A lista de conselhos do Ministério do Interior para evitar violações está no site oficial e avisa ainda as mulheres para não darem boleia a desconhecidos, não estarem sozinhas em paragens de autocarros à noite, não andar na rua sozinha à noite ou andar sempre com um apito. Se não se conseguir evitar a violação, o ministério refere que é importante “conversar com o presumível violador” para ganhar tempo e fixar as características fisionómicas do agressor “dentro do possível”.

A polémica sobre estas recomendações instalou-se depois de o presidente da Câmara de Málaga ter comentado que todos os anos “há muitas violações em Espanha” a propósito da prisão de cinco rapazes que alegadamente terão violado uma rapariga nas festas da cidade. “Há mais de mil violações em Espanha por ano. Não digo que não tenha importância e condeno o que se passou, mas não vamos criar a imagem que Málaga não é uma cidade segura”, disse Francisco de la Torre, autarca de Málaga, segundo relata o jornal espanhol Publico.

Uma das vozes mais ativas contra estas declarações e e as recomendações originais do governo é Carmen Montón, secretária da Igualdade do PSOE. No seu Twitter, Montón disse que as declarações do autarca são “repugnantes” e “indecentes”, apontando ainda culpas ao Ministério do Interior.

A hashtag #AsíNo tem sido utilizada no Twitter por vários espanhóis no Twitter para criticar as indicações do Governo.