O jihadista do Estado Islâmico (EI) que aparece por detrás da máscara no vídeo da execução do jornalista norte-americano James Foley foi identificado como sendo ‘John’, um cidadão nascido em Londres, avança o jornal britânico The Telegraph. O grupo a que pertence, e do qual se acredita ser cabecilha, é apelidado entre os restantes jihadistas como ‘Os Beatles’, por ser composto por três cidadãos britânicos.

Segundo o mesmo jornal, os serviços de informação do Reino Unido e dos EUA estão a trabalhar em conjunto desde a tarde de terça-feira, altura em que o vídeo foi divulgado na internet e começaram a surgir os primeiros indícios de que o sotaque do extremista seria britânico, para identificar o jihadista. Ambos estarão a analisar relatórios do Estado Islâmico do Iraque e do Levante que mostram que o tal ‘John’ será o líder do grupo de jihadistas britânicos especializado na tomada de reféns.

Mas quem é ‘John’? De acordo com o Telegraph aparece descrito como uma pessoa bem-educada e inteligente, mas um membro altamente comprometido com os ideiais daquele grupo extremista do Estado Islâmico, que se acredita estar sediado no reduto rebelde sírio de Raqqa, onde mantém os reféns em cativeiro.

A Scotland Yard, o FBI e o serviço de segurança britânico MI5 estão a reunir esforços para desvendar a sua identidade e localização, mas o primeiro-ministro britânico pede “paciência” à medida que aumentam os receios de que o segundo jornalista norte-americano seja também morto às mãos dos mesmos jihadistas.

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Steven Sotloff aparece durante alguns segundos no vídeo como forma de ameaça aos EUA

Além de James Foley, o vídeo que na quarta-feira correu o mundo mostra também Steven Sotloff, um outro jornalista norte-americano também desaparecido na Síria há cerca de um ano, cuja vida o jihadista agora apontado como ‘John’ pôs nas mãos de Barack Obama. “A vida deste cidadão americano depende da tua próxima decisão”, disse, no vídeo, dirigindo-se ao Presidente norte-americano.

O Wall Street Journal avança esta quinta-feira que o grupo extremista islâmico já tinha exigido à família e ao Global Post, jornal para o qual Foley trabalhava, o pagamento de 100 milhões de euros pelo resgate do jornalista. A notícia foi avançada ao jornal norte-americano pelo próprio presidente da publicação, Philip Balboni, que se recusou no entanto a dar informações sobre a forma como reagiram ao pedido, dizendo apenas que todas as comunicações estabelecidas com os sequestradores estiveram a cargo das autoridades governamentais.

Na quarta-feira já tinha surgido a notícia de que, no início do verão, uma equipa especial de comandos norte-americanos tinha sido enviada para uma região remota da Síria para resgatar Foley e outros norte-americanos reféns dos jihadistas, mas a missão falhou por os reféns já não se encontrarem no local previsto.

Mais de 500 britânicos nas fileiras do EI

A existência de cidadãos britânicos entre os combatentes ao lado do Estado Islâmico no Iraque e na Síria não é novidade, mas especialistas alertam agora para o facto de estes estarem entre os assassinos mais “corrompidos e insensíveis” da região. Segundo Shiraz Maher, do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização do King’s College, de Londres, ouvido pelo Telegraph, os mais de 500 cidadãos britânicos que se sabe terem viajado para a Síria e o Iraque tornaram-se mais “arrogantes” nos últimos meses.

E a execução filmada do jornalista norte-americano, para o especialista, é a prova de que os militantes do Reino Unido já não se limitam a ser soldados do terreno que alinham ao lado do ISIS mas têm chegado a posições de topo dentro da organização.

“É a primeira vez que vemos o ISIS a adoptar esta abordagem extremamente agressiva e diretamente dirigida ao mundo ocidental com a execução de James Foley. Se isso se intensificar, podem começar a enviar os soldados britânicos de volta para casa para levarem a cabo esses ataques lá”, diz o especialista, alertando que se trata de “uma ameaça muito séria”.

Entretanto, o primeiro-ministro britânico David Cameron já retomou as suas férias na Cornualha, depois de as ter interrompido para presidir uma reunião de emergência na sequência dos indícios de que o agressor de Foley teria sotaque britânico.