O Estado Islâmico do Iraque afirma ter executado um jornalista norte-americano, James Foley, desaparecido há dois anos na Síria, como retaliação aos ataques dos EUA no Iraque. Num vídeo publicado na terça-feira, um jihadista identifica o prisioneiro como James Foley, que aparece de joelhos a tecer duras críticas à ação militar dos EUA e a apontar o governo norte-americano como o seu “o verdadeiro assassino”. O vídeo, cuja autenticidade ainda não foi confirmada, foi retirado do YouTube pouco depois de ter sido publicado mas o conteúdo foi transcrito e divulgado (um excerto) pelo Grupo de Inteligência SITE, uma organização que se dedica a monitorizar a “ameaça jihadista”.

Com o título ‘Uma Mensagem para a América’, o vídeo mostra o alegado jornalista, de joelhos numa paisagem desértica, vestido com um uniforme cor-de-laranja numa aparente alusão aos presos militares de Guantánamo. Ao lado, um jihadista do Estado Islâmico do Iraque, vestido de preto e encapuçado. Armado com uma faca, o extremista começa por dizer, em inglês, que a execução que se vai seguir é uma retaliação aos recentes ataques aéreos ordenados pela administração Obama contra os extremistas no Iraque.

James Foley, de 40 anos, trabalhava como jornalista para o GlobalPost, jornal de Boston, assim como para a agência de notícias France Press, quando desapareceu de território sírio em novembro de 2012.

Screen Shot video execução EI

Imagem do vídeo da suposta execução do jornalista norte-americano.

De acordo com a transcrição, aquele que se acredita ser Foley, aparece no vídeo a fazer duras acusações ao governo norte-americano, que diz ser o seu “verdadeiro assassino”.

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“Peço aos meus amigos, família e entes queridos que se insurjam contra o meu verdadeiro assassino – o governo dos EUA – porque aquilo que me vai acontecer é apenas o resultado da sua criminalidade complacente”, diz. E Foley termina dizendo que preferia “não ser cidadão americano”.

No vídeo, de 4:40 minutos, o combatente do grupo radical islâmico dirige-se diretamente a Barack Obama para afirmar que o ISIS vai responder “com todos os meios” aos ataques da força aérea norte-americana. A declaração é perentória: “vamos afogar-vos no vosso próprio sangue”.

“Vocês [governo dos EUA] não estão mais a combater um grupo insurgente, nós somos um exército islâmico e um Estado que tem sido aceite por um elevado número de muçulmanos em todo o mundo, por isso qualquer agressão contra o Estado Islâmico é uma agressão contra os muçulmanos que aceitaram o Califado Islâmico. Por isso qualquer tentativa de tu, Obama, negares os direitos do muçulmanos de viverem em segurança debaixo da liderança do Califado irá resultar num derramamento de sangue do vosso povo”, diz o jihadista.

Nas imagens finais aparece ainda um segundo prisioneiro, que está a ser identificado como Steven Sotloff, também jornalista norte-americano desaparecido na Síria em circunstâncias semelhantes. Sotloff aparece vestido nos mesmos trajes do que Foley. “Obama, a vida deste cidadão americano depende da sua próxima decisão”, diz o jihadista em jeito de ameaça.

Washington já reagiu às imagens, dizendo-se “chocado”, caso se confirmem verdadeiras. A porta-voz do Concelho Nacional de Segurança Caitlin Hayden afirmou entretanto, em comunicado, que as agências de inteligência estavam a “trabalhar o mais rápido possível para determinar a autenticidade das imagens”. “Se for genuíno, estamos chocados pelo brutal assassinato de um inocente jornalista americano”, disse.

Nas cerca de três horas que se seguiram à publicação do vídeo, jihadistas entraram em força no Twitter para divulgar, através da hashtag #NewMessageFromISIStoUS, a mensagem do grupo extremista islâmico para os EUA. Segundo o New York Times, foram publicados mais de 2 mil tweets.

Entretanto, a mãe do jornalista James Foley divulgou esta quarta-feira um comunicado onde se mostra “orgulhosa” do filho e onde pede aos “sequestradores” para “pouparem as vidas dos restantes reféns” que, como ele, “são inocentes”.