Por enquanto, não contem connosco. Foi esta a resposta dada pela Associação de Clubes Europeus (ECA, na sigla inglesa). A quem? Primeiro à FIFA, pois a entidade que representa 214 clubes, repartidos entre 34 países europeus, rejeitou a hipótese de o Mundial de 2022, no Qatar, se realizar durante o inverno. E mais. Avisou os jogadores sul-americanos que, em 2016, terão de escolher: ou participam na Copa América ou nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Calor. Muito. Eis a desculpa para a FIFA querer passar o Campeonato do Mundo do Qatar para o inverno. Os clubes europeus, porém, não parecem estar dispostos a que tal aconteça. “Precisamos de mais informação antes de aceitarmos a hipótese de o calendário ser alterado”, defendeu esta terça-feira Umberto Gandini, vice-presidente da Associação dos Clubes Europeus (ECA, na sigla inglesa).

O italiano, que também desempenha funções de diretor no AC Milan, realçou que a entidade “não pode fazer parte de algo que não é credível”. Na segunda-feira, recorde-se, ocorreu a primeira reunião de um grupo de trabalho, criado pela FIFA, para estudar alternativas ao período (junho-julho) no qual, por norma, se realiza um Campeonato do Mundo.

Umberto Gandini defendeu à Reuters que “têm de existir razões muito, mas muito boas, para tirar o Mundial do seu período convencional”, ao explicar que uma mudança para um horário de inverno “irá colocar em risco o futebol em todo o mundo”. O dirigente italiano, aliás, esteve presente no tal encontro organizado pela FIFA, no qual a organização sugeriu dois períodos alternativos para a realização do Mundial do Qatar: em janeiro-fevereiro, ou em novembro-dezembro.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Até lá, porém, ainda falta um bom bocado. Antes do Mundial virá a Copa América, em 2016, e, no mesmo ano, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E aqui está outro problema — as duas competições realizar-se-ão em datas bastante próximas uma da outra: a prova futebolística, que será acolhida pelos EUA, ocorre entre 3 a 26 de julho, enquanto os Jogos se concretizarão de 5 a 21 de agosto. Ou seja, caso estivessem em ambos os eventos, os jogadores perderiam a fase de pré-temporada nos clubes.

E os clubes também estão a torcer o nariz à possibilidade de terem futebolistas presentes em ambas as competições. “Não temos obrigação de libertar jogadores e temos uma posição forte no mundo do futebol”, lembrou Karl-Heinz Rummenigge, presidente da ECB e diretor geral do Bayern de Munique, ao apontar que 75% dos jogadores que estiveram no último Mundial estavam contratualmente ligados a clubes europeus.

Se dúvidas restassem, Umberto Gandini dissipou-as ao Estadão de São Paulo. “Não há como libertar os jogadores para ambos os torneios. Os sul-americanos terão de pagar o preço com a Olimpíada”, argumentou o dirigente, insistindo, logo a seguir, que “os jogadores “não poderão participar na Copa América e nos Jogos Olímpicos”.

Resta saber onde chegará o braço de ferro entre a ECB e a FIFA — que, aliás, é a responsável por coordenar o calendário das provas internacionais de seleções. Ou seja, tem o poder de alterar a data em que se realizará a Copa América, por exemplo, já que a Conmebol, organização que tutela o futebol sul-americano, integra a FIFA. Caso nada se altere, os clubes poderão mesmo obrigar os jogadores e as suas respetivas seleções a escolherem em qual das competições farão alinhar os melhores futebolistas.