Pouco passava das 7h da manhã quando David Cameron surgiu à porta de Downing Street e manifestou ao Reino Unido a sua satisfação pela vitória do ‘não’ no referendo à independência da Escócia. “É um resultado claro. Eles [os escoceses] mantiveram o nosso país de quatro nações junto.”

“Tal como milhões de outras pessoas, estou maravilhado. Tal como disse durante a campanha, o meu coração ter-se-ia despedaçado se o nosso Reino Unido chegasse ao fim”, disse Cameron.

Numa declaração onde o primeiro-ministro britânico sublinhou que podia “ter bloqueado” o referendo – mas optou por não o fazer, uma vez que essa era uma promessa do Partido Nacional da Escócia -, Cameron garantiu aos escoceses que as promessas de maior autonomia para aquela nação feitas durante a campanha serão cumpridas.

“Os três partidos pró-união comprometeram-se a dar mais poderes ao parlamento escocês. Vamos garantir que [esses compromissos] são honrados”, afirmou David Cameron, que até se comprometeu com uma data, janeiro de 2015, para que a legislação relativa a matérias fiscais e sociais esteja pronta.

Mas o primeiro-ministro britânico não esqueceu as outras áreas do Reino Unido, afirmando que “tal como o povo escocês vai ter maior poder sobre os seus assuntos, também os povos de Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte devem ter uma voz maior sobre os seus.”

“Portanto, tal como a Escócia votará separadamente, no parlamento escocês, sobre impostos, despesas e Estado social, também a Inglaterra, o País de Gales e a Irlanda do Norte devem ter essa capacidade – e isto tem que ocorrer ao mesmo tempo e ao mesmo ritmo, que o processo na Escócia”

Depois de dar os parabéns aos partidários de ambos os lados por uma “luta dura”, que “moveu fortes paixões”, Cameron, que acompanhou durante toda a noite o desenrolar da contagem de votos, considerou que este referendo “será lembrado como uma demonstração poderosa da força e vitalidade da (…) democracia” do país, uma vez que, diz, o Reino Unido é “afortunado” por poder ter estes debates “nas urnas de voto, calma e pacificamente”.

Agora que a questão da independência da Escócia está “resolvida por uma geração – ou, como Alex Salmond disse, talvez para sempre”, é tempo de “olhar em frente”, disse Cameron.

“Temos agora a oportunidade – uma grande oportunidade – de mudar a forma como o povo britânico é governado – mudar para melhor”, afirmou.