A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, anunciou esta terça-feira que pretende apresentar até ao final da semana o processo com os argumentos para um novo referendo sobre a independência relativa ao Reino Unido, a realizar se possível em 2021.

Apesar de as eleições legislativas britânicas terem sido ganhas pelo Partido Conservador com uma maioria absoluta, o partido do primeiro-ministro, Boris Johnson, perdeu sete deputados na Escócia, enquanto que o Partido Nacionalista Escocês (SNP) garantiu 48 dos 59 assentos que representam a região no parlamento em Londres.

Nicola Sturgeon vincou que “74% dos votos na Escócia foram dados a partidos que apoiavam a permanência na UE [União Europeia] ou eram a favor de um segundo referendo da UE. Mas, apesar disso, devemos ser arrastados para fora da UE contra a nossa vontade?”, questionou hoje num discurso na assembleia de Holyrood.

O governo britânico adiantou pretender apresentar na sexta-feira a legislação para concretizar o Brexit e completar o processo de saída do Reino Unido da UE a 31 de janeiro. “É crucial que um futuro fora da Europa e governado por um governo conservador cada vez mais de direita não seja impingido sobre a Escócia. Em vez disso, devemos ter o direito de considerar a alternativa da independência. É por isso que, no final desta semana, em consonância com os repetidos mandatos eleitorais reforçados mais uma vez na última quinta-feira, publicarei os argumentos democráticos em detalhe para a transferência de poder de Westminster para este parlamento, a fim de permitir um referendo de independência que não possa ser questionado juridicamente”, alegou.

A líder do SNP considerou também que esta é “uma questão de certa urgência, razão pela qual este governo quer que as pessoas tenham uma escolha no próximo ano”. Um referendo sobre a independência da Escócia em 2014 resultou em 55% dos votos contra e 45 a favor.

Um novo referendo terá de ser autorizado pelo governo britânico, e o primeiro-ministro, Boris Johnson, reiterou na sexta-feira, numa conversa telefónica com Nicola Sturgeon, que está empenhado em manter o Reino unido e que se opõe a uma nova consulta.