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Nicola Sturgeon defende que a Escócia deve integrar a União Europeia e espera convocar um referendo até 2023

AFP via Getty Images

Nicola Sturgeon defende que a Escócia deve integrar a União Europeia e espera convocar um referendo até 2023

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Referendo à independência? Escócia prepara-se para “guerra política de trincheiras” /premium

Independentistas querem novo referendo até final de 2023, Boris Johnson diz que nova consulta sobre independência da Escócia só na década de 2050. Adivinha-se um embate entre Edimburgo e Londres.

Quando os escoceses foram às urnas na quinta-feira, no boletim de voto não estava a opção de votar a favor ou contra a independência da Escócia do Reino Unido. No entanto, ninguém tem dúvidas de que a possibilidade de um novo referendo foi a questão central destas legislativas escocesas, cujos primeiros resultados começaram a ser divulgados esta sexta-feira, sendo que os resultados finais, que permitem tirar conclusões ou pelo menos pistas sobre o futuro da relação entre Londres e Edimburgo, só vão mesmo ser conhecidos ao final do dia de sábado ou até no domingo.

Nestas eleições, está em jogo muito mais do que a eleição do próximo governo escocês ou dos 129 deputados do parlamento regional (o Holyrood). Se os independentistas conseguirem o bom resultado que anteciparam durante a campanha eleitoral, isto é, uma maioria de pelo menos 65 lugares, prometem convocar um referendo sobre a independência da Escócia até final de 2023, antevendo-se um embate com o governo de Boris Johnson, intransigente nesta matéria.

Que o Partido Nacional Escocês (SNP, na sigla em inglês) seria o partido mais votado nas legislativas desta quinta-feira, não existiam grandes dúvidas, com as sondagens a preverem uma vitória confortável. Conforme nota Sarah Smith, editora da BBC na Escócia, “a questão é saber qual o tamanho da maioria que [Nicola Sturgeon] vai ter”, sendo que a força dos independentistas é fundamental para perceber até que ponto a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, conseguirá pressionar Boris Johnson a ceder na realização de um novo referendo sobre a independência da Escócia — o último realizou-se em 2014, tendo 55% votado contra o fim da união que dura há 314 anos.

No referendo de 2014, 55% dos escoceses votaram contra a independência da Escócia. Em 2016, 62% rejeitou o Brexit, defendendo que o Reino Unido não deveria sair da União Europeia

Devido às medidas sanitárias impostas por causa da Covid-19, o processo de contagem dos votos está a ser mais lento do que o habitual. Até ao final da tarde desta sexta-feira, a prudência e o entusiasmo balançavam entre si nas hostes do SNP, que conseguiu manter a vitória nos círculos eleitorais que lhe são favoráveis, mas Sturgeon preferiu baixar as expectativas, admitindo que a maioria está no “fio da navalha”. A disputa promete ser renhida até à contagem do último voto.

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Antes das eleições, Nicola Sturgeon foi perentória ao afirmar que estas eram as eleições mais importantes da história do país. A bitola era, por isso, muito elevada para o seu SNP, pró-independência, que há cinco anos falhou a maioria no parlamento escocês por apenas dois deputados, o que não a impediu de formar governo, dando continuidade ao domínio do SNP, que ganhou todas as eleições desde 2007.

A expectativa para estas eleições era muito elevada porque a Escócia e o Reino Unido mudaram muito desde as eleições legislativas de maio de 2016. Desde logo, devido ao terramoto político que aconteceu no mês seguinte desse mesmo ano, quando a maioria dos britânicos votou “sim” ao Brexit. A saída do Reino Unido da União Europeia viria a consumar-se em dezembro de 2020, para lamento da maioria dos escoceses que, quatro anos antes, tinham votado no sentido contrário da maioria dos britânicos (62% votaram contra o Brexit).

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A oficialização da saída do Reino Unido da União Europeia foi, por isso, um momento de viragem. Ainda Boris Johnson dava por concluído o longo processo do Brexit, já Nicola Sturgeon anunciava que a Escócia precisaria de realizar um novo referendo, defendendo que o lugar dos escoceses é ao lado dos parceiros europeus.

Escoceses divididos quanto à independência

O SNP, tal como outros partidos favoráveis à independência, como os Verdes ou o recém formado Partido Alba, tem defendido que a consulta popular é urgente, sobretudo desde que a Escócia se viu fora do mercado único e da união aduaneira com a União Europeia. Por outro lado, os partidos unionistas — Partido Conservador, Labour e os Liberais Democratas — usam como principal trunfo a ideia de que, perante as consequências económicas devastadoras da Covid-19, este não é o momento para trazer de volta o debate sobre o referendo.

Boris Johnson considera que um referendo é um acontecimento de "uma geração" e não quer nova consulta popular até à década de 2050

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Além disso, a posição de Londres sobre um novo referendo tem sido de intransigência. Questionado sobre essa possibilidade, Boris Johnson tem dito que tal só pode acontecer “uma vez a cada geração”, estipulando que uma nova consulta aos escoceses sobre a sua independência só será possível daqui a cerca de 40 anos.

Boris Johnson reafirma oposição a referendo sobre a independência da Escócia

A intransigência de Londres não demoveu Nicola Sturgeon de lutar pelo seu objetivo, com o SNP a centralizar a campanha eleitoral na questão da independência, tendo mesmo apresentado um plano que visa à realização de um novo referendo até ao final de 2023, sublinhando que a prioridade deve ser o fim da pandemia de Covid-19 e que, assim que tal aconteça, os escoceses deverão ser chamados novamente às urnas para decidir se querem ou não continuar a fazer parte do Reino Unido.

As sondagens têm demonstrado a divisão dos escoceses quanto à independência. No último ano, houve uma vantagem constante do "sim", mas agora há um empate técnico

Durante grande parte do último ano, o “sim” à independência destacou-se nas sondagens, tendo chegado a registar, em outubro, uma vantagem média de oito pontos em relação ao “não”, de acordo com uma análise feita pelo The Telegraph. Desde então a vantagem do “sim” tem vindo a diminuir, e neste momento há um empate técnico— em abril, a média das sondagens indicava uma vantagem do “não” por apenas um ponto, segundo o mesmo jornal britânico.

No mesmo sentido, também o SNP viu as sondagens serem-lhe muito favoráveis durante grande parte do último ano, ao ponto de a maioria simples no parlamento escocês ter parecido inevitável. Também neste aspeto o cenário mudou, e nos últimos meses os nacionalistas escoceses foram caindo nas sondagens — um fenómeno que coincidiu com o acelerar do processo de vacinação contra a Covid-19 em todo o Reino Unido, o que tem trazido benefícios em termos de popularidade para o governo de Boris Johnson.

Nicola Sturgeon quer um referendo dentro da legalidade, mas admite levar disputa com Londres para os tribunais

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As opções de Nicola Sturgeon e Boris Johnson

Além disso, as divergências e relações de força o dentro do bloco independentista têm vindo a subir de tom, não só devido ao crescimento dos Verdes, mas sobretudo devido ao conflito entre Nicola Sturgeon e o ex-primeiro-ministro Alex Salmond, que liderou o SNP entre 2004 e 2014, e agora formou um novo partido. Depois de ter o sido rosto mais visível do referendo pela independência de há sete anos, Salmond caiu em desgraça e acabou por ser expulso do SNP, após ser acusado de assédio sexual, acusação da qual viria a ser ilibado pelos tribunais.

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Salmond, que nutre de grande popularidade na Escócia, decidiu então formar o partido independentista Alba, com o objetivo de alargar a maioria pró-independência no país, tendo, no entanto, optado por não apresentar candidatos nos 73 círculos eleitorais uninominais (apelando nestes casos ao voto nos candidatos do SNP), mas concorrendo nas listas regionais, onde estão em jogo os restantes 56 assentos parlamentares. Com esta estratégia, apesar de tentar reforçar o bloco independentista, Salmond pode acabar a tirar votos ao SNP, podendo, no limite, impedir a maioria simples tão ambicionada por Sturgeon.

James Mitchell, politólogo da Universidade de Edimburgo, diz que pode estar iminente o início de uma “guerra política de trincheiras” entre Boris Johnson e Nicola Sturgeon. "Isto vai aquecer”, antevê

Acresce que Salmond defende medidas mais radicais para forçar um referendo, enquanto Nicola Sturgeon tem sido partidária de uma estratégia dentro da legalidade, fortemente assente na pressão sobre Londres, querendo evitar a todo o custo uma situação semelhante à que se viveu na Catalunha em 2017, quando o governo de Madrid interveio para impedir a independência declarada pelos separatistas catalães.

De acordo com o Scotland Act, assinado em 1998, a “União entre os reinos da Escócia e de Inglaterra” é uma questão que diz respeito ao parlamento britânico. Dito de outra forma, está implícito que convocar um referendo sobre a independência da Escócia é uma competência de Westminster e não de Holyrood. Contudo, esta questão nunca foi testada nos tribunais, e há grandes divergências entre juristas e académicos sobre se o parlamento escocês tem ou não poder para convocar um referendo.

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Nesse sentido, conforme a própria Nicola Sturgeon já afirmou, o objetivo do SNP, caso se confirme um reforço da maioria independentista, passa por aprovar legislação que leve a um referendo, obrigando Londres a ter de avançar para os tribunais para tentar travá-lo. Caso tal aconteça, admite à Reuters James Mitchell, politólogo da Universidade de Edimburgo, poderá estar iminente o início de uma “guerra política de trincheiras”, sendo expectável que aumentem também as manifestações nas ruas escocesas a favor da independência, aumentando a pressão sobre Boris Johnson.

O primeiro-ministro britânico, de resto, encontra-se numa situação delicada. Se por um lado, ao defender que um novo referendo só se deve realizar na década de 2050, se arrisca a contribuir para um aumento da frustração dos escoceses pró-independência e para um fortalecimento de um movimento independentista, por outro, sabe que permitir um referendo nesta fase acarreta enormes riscos: uma vitória do “sim” teria sérias consequências para o Reino Unido, e o futuro político de Johnson estaria comprometido. “Isto vai aquecer”, antevê o politólogo James Mitchell.

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