Os Estados Unidos e alguns países aliados, entre os quais várias nações árabes, lançaram raides aéreos contra os extremistas do Estado Islâmico na Síria, informou o Pentágono, na madrugada desta terça-feira.

“Posso confirmar que o exército norte-americano e as forças das nações aliadas estão a levar a cabo ações militares contra os terroristas do Estado Islâmico (EI), usando caças, bombardeiros e mísseis Tomahawk”, disse o porta-voz contra-almirante John Kirby em comunicado. Também foram usados drones.

De acordo com o New York Times, os ataques centraram-se em Raqqa, cidade no norte da Síria que se tornou a base do grupo terrorista, e em toda a fronteira permeável do Iraque.

O objetivo sempre foi atingir “os santuários do Estado Islâmico na Síria”, ou seja, armamento, quartéis, depósitos e infraestruturas usadas pelos jihadistas para comando e controlo. Obama quer enfraquecer e, de preferência, erradicar o EI, mas já admitiu que o grupo liderado por Abu Bakr al-Baghadadi é como um “cancro” e que eliminá-lo não vai ser fácil.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, a 10 de setembro, estar pronto para lançar ataques aéreos contra o EI na Síria, alargando a campanha já em curso contra os jihadistas no Iraque. Desde há um mês que aviões americanos têm feito voos de reconhecimento, em antecipação aos ataques aéreos agora realizados.

Barack Obama afirmou então que os Estados Unidos iriam liderar uma “ampla coligação” a fim de eliminar a ameaça que o EI representa, mas insistiu que não seriam enviadas tropas norte-americanas para combater em território estrangeiro como parte da operação. Da coligação fazem parte Arábia Saudita, Bahrain, Egito, Jordânia, Iraque, Kuwait, Líbano, Omã, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Alguns destes Governos são sunitas, tal como a milícia radical sunita do Estado Islâmico.

Os ataques estão a ser feitos sem a autorização do presidente sírio Bashar Al-Assad. Que, ao contrário do Governo iraquiano, não pediu ajuda internacional para travar o EI. De acordo com o New York Times, que cita fontes da defesa, Assad não soube dos ataques com antecedência.

“Qualquer ação, seja de que natureza for, sem o consentimento do governo da Síria será um ataque à Síria”, alertou o ministro para a Reconciliação Nacional, Ali Haidar, no passado. Mas o britânico The Guardian ouviu analistas que acreditam que Bashar al-Assad ignorará os ataques contra alvos do Estado Islâmico e que até poderão cooperar de forma discreta.

Na quarta-feira, Barack Obama vai falar na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. Entre os temas a discutir estará a criação de leis que impeçam as pessoas de aderirem ao Estado Islâmico.