Numa referência às declarações de quarta-feira do Presidente Barack Obama, quando referiu que “se atacarem os Estados Unidos nunca estarão em segurança em qualquer parte”, o secretário da Defesa norte-americano, Chuk Hagel, indicou que os raides aéreos norte-americanos vão visar “os santuários do Estado Islâmico na Síria. Isso inclui os seus centros de comando, as suas capacidades logísticas e as suas infraestruturas”.

Hagel, que falou durante uma audição no Senado, também justificou uma guerra contra o EI no Iraque e na Síria ao sublinhar que o grupo jihadista possui “aspirações globais” e poderá atacar território dos Estados Unidos. “O Estado Islâmico tem aspirações globais, (…) se não lhes fizermos frente ameaçarão diretamente o nosso território e os nossos aliados”, assegurou perante o Comité das Forças Armadas do Senado, numa sessão destinada a esclarecer a estratégica de Obama contra o grupo islamita radical, que controla uma importante faixa territorial na Síria e do Iraque.

O responsável da Defesa foi acompanhado pelo chefe das Forças Armadas norte-americanas, general Martin Dempsey, que optou por prevenir que esta campanha será muito diferente da invasão do Iraque em 2003, que derrubou o regime de Saddam Hussein, então designada “Choque e Pavor” (“Shock and Awe”) e destinada ao rápido domínio das forças iraquianas. Esta campanha contra o EI “será persistente e longa”, sublinhou.

Os testemunhos de Hagel e Dempsey ocorreram um dia após os Estados Unidos terem desencadeado o seu primeiro ataque aéreo — com aviões de combates ou aviões não tripulados (drones) — contra o EI perto de Bagdad, a capital iraquiana. Desde 8 de agosto, as forças aéreas dos EUA já desencadearam 162 ataques contra as posições dos jihadistas no Iraque, apesar de Obama ter também manifestado a intenção de atacar o EI na vizinha Síria.