O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou esta quarta-feira que os dois cidadãos espanhóis que pernoitaram nas Selvagens vão ser “identificados” e vão ser alvo “de uma contra-ordenação”.

“Há uma violação no que diz respeito a uma estadia nas Selvagens. Não foi respeitado o momento de saída e as pessoas em causa vão ser identificadas”, afirmou aos jornalistas no Parlamento. “A situação é muito parecida com duas pessoas que chegassem ao Jardim Zoológico e colocassem ali uma bandeira e, à hora de fecho, não saíssem. O que muda é a natureza logística. Nas Selvagens, há questões de natureza logística diferentes. Até foi pedida autorização para irem às Selvagens, portanto, questões de soberania não se colocam. Nas Selvagens, não é possível pernoitar. Quando eram para sair, não sairam e agora vão ser identificados”, explicou.

Os dois independentistas das Canárias que desembarcaram nas Ilhas Selvagens e que apresentaram uma bandeira daquela região, permanecem no local, onde já está a Marinha portuguesa.

De acordo com as informações prestadas à agência Lusa pelo vigilante do Parque Natural da Madeira, os dois ativistas mantêm-se “em terra”, aguardando por uma decisão por parte da Marinha portuguesa, que, na terça-feira, enviou um navio patrulha para aquelas ilhas, que chegou pelas 23h horas de terça-feira.

A Alternativa Nacionalista Canária (ANC), que na segunda-feira protagonizou um protesto nas Ilhas Selvagens, insistiu esta quarta-feira que se tratou de uma ação “meramente simbólica e pacífica” que pretendia alertar para os riscos das prospeções petrolíferas na zona.

Pedro Gonzalez, porta-voz da ANC, disse à agência Lusa lamentar que esse objetivo tenha sido ignorado com tantas referências à questão da soberania do arquipélago das Selvagens, que pertence a Portugal.

“Queremos deixar bem claro que em nenhum momento fizemos quaisquer reivindicações sobre a soberania das Selvagens para Espanha. Aliás, nós reivindicamos a independência das Canárias”, explicou.

“Isto não tem nada que ver com antigos conflitos que possam haver entre Espanha e Portugal”, disse.

Gonzalez recordou que os ativistas que chegaram no início da semana ao arquipélago levavam uma bandeira independentista Canária, “um símbolo de luta nas Canárias, mas que não é reconhecido institucionalmente”.

“Dizer que há um conflito com a soberania não faz sentido, não é a bandeira de um Estado. É um símbolo e uma bandeira, mas de uma nação sem Estado”, declarou à Lusa.

O porta-voz insistiu no objetivo da ação – que levou militantes da ANC a desembarcarem nas Selvagens – pretende “exclusivamente dar a conhecer ao mundo o descontentamento relativamente às prospeções petrolíferas” que vão ser realizadas pela Repsol ao largo das Canárias.

“A nossa é uma preocupação ambiental com o arquipélago canário e inclusive com o das Ilhas Selvagens. Nunca atuámos de forma violenta, a ação pretendeu apenas servir como pedido de ajuda para que se proteja o meio ambiente marinho”, explicou Gonzalez.