O discurso já estava preparado. Seguro apareceu esta noite na sede nacional do PS – e apenas por hoje sede da sua candidatura nestas primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro – para anunciar que, tal como tinha prometido se perdesse estas eleições, se demitia. E cumpriu. “O PS escolheu o seu candidato a primeiro-ministro, está escolhido. Ponto final”, disse perante uma ovação dos seus apoiantes. O ex-líder socialista diz que voltará a ser um militante de base e não se candidatará nas próximas diretas para a eleição de secretário-geral.

O sorriso que trazia ao entrar na sala, era só de nervos. António José Seguro demitiu-se do cargo de secretário-geral do PS perante os seus mais próximos colaboradores depois de uma derrota nas eleições primárias a primeiro-ministro que ele próprio propôs em junho. Na despedida, é aliás esse o seu “orgulho”: a realização deste processo pela primeira vez em Portugal, que serve como “comemoração do 40º aniversário do 25 de abril”. “Fizemos uma campanha memorável e garanto-vos que nada ficará igual, nem no PS, nem na democracia portuguesa“, afirmou, agradecendo à sua equipa.

Na hora do adeus, Seguro lembrou as condições em que conduziu o partido nos últimos anos enfrentando “uma maioria, um governo, um Presidente da República, um presidente da Comissão Europeia e um memorando”, conseguindo levar os socialistas a vitórias nas autárquicas de 2013 e nas europeias deste ano. “Tive a maior honra de servir Portugal através da liderança do PS”, disse consternado.

Quanto a Costa, Seguro deu-lhe os parabéns, felicitando-o “democraticamente” e lembrou que as eleições são ganhas “por quem tem mais votos”. Quanto ao futuro, disse que voltará a ser militante de base e assim se pretende manter “até depois da concretização do próximo congresso”. Prometeu, no entanto, manter a sua ação cívica: “Lembrem-se que o compromisso com as causas que defendemos não depende dos cargos que ocupamos, mas sim das forças das nossas convicções”.

Se no Rato esta noite não havia grande entusiasmo nem afluência de apoiantes, o anúncio do agora ex-secretário-geral fez com que alguns dos seus apoiantes derramassem algumas lágrimas, especialmente enquanto Seguro abandonava a sala com a mulher e a filha, distribuindo abraços e cumprimentos por entre os seus mais próximos colaboradores nos últimos três anos.