António Costa e Álvaro Beleza encontraram-se na quarta-feira e selaram o acordo: lista única ao congresso e um terço dos lugares para os seguristas. “Há condições para que o PS se una”, confirma Álvaro Beleza ao Observador.

“Houve um entendimento para que o partido se una e apresente uma lista única no congresso que vai unir todas as sensibilidades, mantendo aquela que é a tradição do partido”, explicou aquele que é designado entre os apoiantes de António José Seguro como uma espécie de ‘coordenador da tendência de Seguro’.

Nas primárias de domingo, Costa teve cerca de 70% dos votos e, portanto, fica com cerca de dois terços dos lugares nos órgãos do partido. O mesmo se passará já com a direção do grupo parlamentar, que será conhecida esta quinta-feira e sexta-feira votada. Atualmente, dos 13 membros, mais de metade são de Costa.

Beleza adiantou ainda que a conversa com o autarca de Lisboa foi mais sobre ideias do que sobre lugares. “Falámos sobre a convenção Novo Rumo, o Laboratório de Ideias e o que significou as primárias”, explicou. Aquele que era um dos dirigentes mais próximos de Seguro vai ajudar Costa na preparação de documentos programáticos.

“Estou a trabalhar para sarar feridas. É essa a minha especialidade”, brincou Beleza, referindo-se ao facto de ser médico.

Entre os apoiantes de Seguro, havia a vontade, partilhada com o Observador, de que se não tivesse sido possível um entendimento com Seguro, então, teria que haver uma candidatura contra o agora candidato do PS a primeiro-ministro.

De Seguro, que se demitiu de secretário-geral no domingo à noite, os apoiantes “tiveram carta branca” para fazer o que entendessem nesta fase. “Ele afastou-se. Vai seguir o seu caminho próprio”, explicou Beleza.