O Tesouro português volta na próxima quarta-feira, dia 8 de outubro, a emitir dívida pública de longo prazo nos mercados. Será um leilão de obrigações do Tesouro em que o Estado pretende obter entre 750 mil milhões e 1.000 milhões de euros em dívida a um prazo de aproximadamente cinco anos.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) anunciou, nesta sexta-feira, um leilão de obrigações com maturidade em 2020. Trata-se do primeiro de “um ou dois” leilões de dívida de longo prazo que o Tesouro português pretende fazer até ao final do ano.

O organismo que gere a dívida pública nacional prevê fazer os leilões de obrigações sempre à segunda ou quarta quarta-feira de cada mês. O IGCP aproveita, assim, a primeira “janela” disponível para avançar para o primeiro leilão, numa altura em que os juros da dívida nos mercados estão a cair graças à expetativa dos investidores de que haverá mais medidas de estímulo por parte do BCE. Os juros a 10 anos rondam, nesta altura, os 3%.

O Tesouro português, que já tem garantidas as necessidades de financiamento para este ano, deverá utilizar o encaixe para adiantar financiamento de 2015. O IGCP opta, assim, pelo recurso a um leilão de obrigações em detrimento das emissões sindicadas, outro método habitualmente utilizado para emitir dívida de longo prazo.

Neste método, o Estado contrata um conjunto de bancos que se encarregam de contactar investidores e propor-lhes a participação na operação de financiamento. São também esses bancos que, no dia da emissão, recolhem as ordens de compra dos investidores e procuram reduzir ao máximo os juros a pagar. Este mecanismo acarreta um menor risco de uma operação mal-sucedida, porque há um “trabalho de casa” prévio feito pelos bancos contratados. Já num leilão convencional, como o que vai acontecer na quarta-feira, são os investidores que, por sua iniciativa, fazem as suas licitações para a quantidade de títulos de dívida que querem comprar e os juros com que pretendem ser remunerados.