Os grupos pró-democracia em Hong Kong planeiam uma manifestação de força para esta noite, depois de terem sido canceladas as negociações com o Governo e de os parlamentares norte-americanos terem apelado a Barack Obama para pressionar Pequim.

No final da tarde de quinta-feira, o Governo de Hong Kong, através da secretária chefe Carrie Lam, cancelou o encontro previsto para a tarde desta sexta-feira com os grupos pró-democráticos, culpando os estudantes da decisão por incitarem ao reforço dos protestos se as suas exigências não fossem aceites.

A decisão aprofundou a crise política na antiga colónia britânica com os protestos a não terem, agora, um fim à vista.

Na base do protesto está a vontade popular em eleger, de forma direta e universal sem qualquer pré-seleção, o líder do Governo, um desejo que Pequim concede parcialmente no ponto da população escolher o seu líder, mas sem abdicar de efetuar uma pré-seleção dos possíveis candidatos através de uma comissão eleitoral que consegue controlar.

Embora o número de manifestantes tenha diminuído nos últimos dias, é esperado que ao final da tarde muitos jovens e apoiantes do movimento se concentrem nos vários locais de protesto.

O desafio de aumentar o número de manifestantes surge também numa altura em que legisladores norte-americanos condenaram, no seu relatório anual, os Diretos Humanos na China e fazem uma crítica pouco usual a Hong Kong.

“Hong Kong sofreu um grande retrocesso no seu desenvolvimento democrático depois de a China ter descartado uma eleição justa para o chefe do Executivo em 2017”, disse o senador Sherrod Brown, presidente da Comissão Executiva do Congresso.

O mesmo responsável defendeu que Barack Obama deve pressionar o seu homólogo chinês Xi Jinping diretamente sobre as questões de Hong Kong quando os dois líderes se reunirem em Pequim em novembro.

A posição norte-americana vai, contudo, contra um alerta feito pelas autoridades chinesas a todas as missões diplomático/consulares acreditadas em Hong Kong onde salientava a necessidades dos seus funcionários se manterem afastados de qualquer forma de protesto.