As gravações feitas às reuniões realizadas pelo conselho geral do Grupo Espírito Santo (GES) fazem parte de documentação pedida pelos deputados socialistas que fazem da parte da comissão parlamentar de inquérito à crise do Banco Espírito Santo (BES).

O pedido surge na sequência da divulgação pelos jornais i e Sol das conversas tidas nas reuniões realizadas no último ano do órgão de cúpula da família Espírito Santo, em que foram discutidos os problemas do grupo e do banco, a sucessão e os planos do então presidente, Ricardo Salgado, para salvar o GES e o BES. Este pedido será endereçado às duas instituições empresariais que faziam parte do património da família, mas que já não se encontram na tutela dos Espírito Santo.

Entre os pedidos estão também informação dos reguladores dos vários países onde as operações do grupo estão a ser investigadas.

Os socialistas pretendem ainda ter acesso a atas de reuniões dos órgãos sociais do BES desde 2007, o ano anterior à crise financeira, e das várias holdings financeiras e não financeiras do grupo, entre os quais se incluem a Espírito Santo Financial Group (ESFG), Espírito Santo Internacional (ESI) e RioForte, sociedades que se encontram em processos de insolvências no Luxemburgo e cujo avultado endividamento e irregularidades nas contas estiveram na origem do colapso do BES.

Entre os pedidos estão também informação dos reguladores dos vários países onde as operações do grupo estão a ser investigadas, Angola, Dubai, Luxemburgo, Suíça, Estados Unidos e Panamá. Para além da auditoria forense do Banco de Portugal e troca de correspondência entre autoridades europeias e nacionais, os socialistas solicitam igualmente informação ao Ministério Público sobre os processos em curso, relacionados com a instituição e seus antigos dirigentes.

Entre os pedidos de audiências estão os membros atuais e anteriores do governo com tutela das áreas económica e financeira, incluindo ainda Paulo Macedo que autorizou a passagem do hospital de Loures gerido pela Espírito Santo Saúde para a Fidelidade. A lista exclui antigos governantes socialistas, mas a presença de Teixeira dos Santos, ministro das Finanças de Sócrates, já foi pedida por outros partidos.

Zeinal Bava e ex-presidentes da PT

Para além de chamar à comissão de inquérito os principais responsáveis pela gestão do banco e das empresas do Grupo nos últimos cinco anos, os socialistas querem também ouvir ex-presidentes da Portugal Telecom, entre os quais Zeinal Bava, que se demitiu recentemente da Oi, Henrique Granadeiro, Murteira Nabo e Horta e Costa. Em causa estão os danos colaterais da crise do BES/GEs na operadora portuguesa. A PT, onde o BES era o acionista mais influente, aplicou 900 milhões de euros numa holding do Grupo Espírito Santo, investimento que já é dado como perdido.

O prazo para a entrega dos pedidos de audiência e documentação termina à meia-noite de hoje, mas ainda não são conhecidas as listas dos partidos da maioria.