O presidente-executivo do BPI, Fernando Ulrich, diz que há um “mito” que emergiu nos últimos anos e que “há-de interessar a muita gente”: o “mito de que o Banco Espírito Santo (BES) era o grande banco das PME”. O responsável avisa que “se, um dia, porventura um dia viesse a comprar o Novo Banco, só o faria se metade da carteira de crédito do BES não viesse atrás“, referindo-se a um valor na ordem dos 26 mil milhões de euros.

Fernando Ulrich baseia-se “apenas em informação pública” quando diz que “basta analisar o último relatório e contas do BES e verifica-se que da carteira de crédito e garantias em Portugal, cerca de 52 mil milhões no total, cerca de metade, ou 26 mil milhões de euros, está concentrada em cinco segmentos”. A saber: “construção e obras públicas, atividades imobiliárias, sociedades financeiras (basicamente “holdings” em vários grupos), e depois dois “sacos”, um que é serviços prestados a empresas – não sei bem o que isso é – e depois créditos a outras entidades coletivas incluindo futebol e outras”, enumera Ulrich.

Nas rubricas comparáveis, o BPI tem um valor na ordem dos 3,5 mil milhões de euros, afirma o presidente-executivo do banco. Isto “pode fazer parecer que nós sejamos uns azelhas e não vimos a mina de ouro que havia ali”. Mas “eu digo já que entrego os 3,5 mil milhões que o BPI tem nesses cinco setores se, um dia, se porventura um dia viesse a comprar o Novo Banco, só o faria se esses 26 mil milhões não vierem atrás”, atira Fernando Ulrich.

“Depois vamos ao resto e é agricultura, têxteis, indústria extrativa, eletricidade, o Estado… Naquilo que são créditos a atividades que eu gosto, o Novo Banco é 40% maior que o BPI, não é oito vezes maior do que o BPI“, acrescenta o banqueiro. “Se olharmos para os particulares, o BPI é maior”, defende ainda o responsável, acrescentando que “esta história de que o BES era o grande banco das PME é mentira, é comparável a qualquer um dos outros grandes bancos portugueses”.

As declarações foram proferidas nesta quarta-feira em Lisboa, durante uma conferência organizada pela sociedade de advogados PLMJ para discutir a Reforma do IRS e o Orçamento do Estado para 2015.

Ulrich receia aumento de capital no Novo Banco

O presidente executivo do BPI nota também que “um eventual aumento de capital do Novo Banco afetaria o setor financeiro e até o Estado”. Este é um “cenário que espero que não se materialize” mas que pode ser necessário se o montante injetado pelo Fundo de Resolução não for suficiente para cumprir os rácios de capital exigidos na Europa, explicou Fernando Ulrich.

“A necessidade de um aumento de capital [do Novo Banco] pode ser obviamente um problema com impacto mais geral, afetando o restante setor financeiro e até o Estado. Espero que essa possibilidade seja apenas uma especulação”, afirma o responsável. Isto porque os bancos são responsáveis por “eventuais insuficiências que venham a sobrar para o fundo de resolução”, salientou.

Sobre o interesse do BPI na compra do Novo Banco, Ulrich reiterou o que já havia afirmado a 8 de outubro. Essa “é uma oportunidade a estudar” mas o interesse ainda nem começou, porque o processo de venda ainda não começou”. Está em curso “um estudo preliminar”, remata o presidente-executivo do BPI.

 

 

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