O líder democrata-cristão, Paulo Portas, defendeu terça-feira à noite que o CDS-PP deve aspirar a ser “mais forte” para poder governar “em tempos de crescimento económico” e reafirmou o “sentido de compromisso” do partido para o “diálogo político”.

“Ao CDS nunca foi dada a oportunidade de governar em crescimento económico, ao CDS nunca foi dada a oportunidade de governar em tempos normais. Eu estou convencido e, devemos ter essa aspiração, que o CDS merece ser mais forte porque havemos de poder governar em tempos de crescimento como agora começamos, de governar em tempos normais”, afirmou Paulo Portas.

O presidente do CDS-PP, partido parceiro da coligação de governo com o PSD, discursava num comício no Teatro São Luiz, Lisboa, no âmbito das comemorações dos 40 anos do partido, em que intervieram antes o ex-líder parlamentar democrata-cristão Lobo Xavier e o presidente da Juventude Popular, Miguel Pires da Silva.

Paulo Portas defendeu que o “sentido de compromisso” e o “pragmatismo do CDS” levariam, num governo de “tempos normais”, a uma economia “mais forte e a um sentido de justiça mais forte na sociedade portuguesa”.

No seu discurso, Paulo Portas considerou ter “o dever de lembrar aos outros” que o CDS foi sempre chamado a exercer responsabilidades quando a casa estava a arder”, quando a “bancarrota estava à distância de semanas” e “quando problemas gravíssimos careciam de maioria, coesão e determinação”.

Portas apresentou como marca distintiva do CDS face aos outros partidos no parlamento “o humanismo cristão” e questionou: “Se não fosse o CDS quem representaria em Portugal a direita democrática?”

O líder democrata-cristão defendeu que em Portugal “há um défice de compromisso político”, afirmando dar razão a quem diz que o nível de consenso “é menor do que o desejável” em matérias que “dizem respeito a todos”.

Por essa razão, Portas considerou que “os partidos deviam ter mais coragem de sentar-se à mesa e procurar compromissos”, assegurando que “nunca foi por falta de vontade ou disponibilidade do CDS que esse compromisso não esteve presente”.

“O CDS é naturalmente institucionalista. É normal que seja um contribuinte positivo para o espírito de compromisso”, reiterou o líder do CDS-PP.

Numa avaliação dos três anos de governação, Portas considerou que o governo recebeu “um Estado falido” e “deixa ao soberano”, na hora em que se aproximam eleições legislativas, um país que “recuperou independência financeira, capacidade de financiamento e tem hoje uma reputação internacional muito melhor do que há quatro anos”.

Destacando alguns dos momentos que considerou mais marcantes da história do CDS-PP, Paulo Portas defendeu que o partido é “tão filho do 25 de Abril como qualquer outro partido” mas “fez-se contra o PREC e contra as consequências negativas do PREC [Processo Revolucionário em Curso] e sustentou que o partido teve razão ao ser o único a votar contra a Constituição da República, em 1976.