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Quem não arrisca não Talisca. O Benfica arriscou. Foi à Baía farejar por talento e descobriu um imberbe, de 20 anos, alto, magrinho e canhoto, com reputação de ser um amante de remates bonitos e colocados. Pagou, meteu a descoberta num avião e começou a treiná-lo em Lisboa. Jorge Jesus, o treinador, tentou-o em todo o lado: a guardar a defesa, a ‘6’, a ser uma ponte de ligação da equipa, a ‘8’, ou a mascarar-se de organizador de tudo, a ’10’. Acabou por ficar atrás do ponta de lança, numa mescla de avançado e médio, a deambular por onde lhe apetecer. Deu resultado: vai com nove golos marcados, oito no campeonato, outro na Champions. Tantos que, agora, Dunga reparou nele.

Sim, isso mesmo. Vamos a 10 de novembro e Anderson Talisca está convocado para se voltar a meter num avião. Desta vez, não será um voo qualquer — mas um que o levará ao encontro da seleção brasileira. O escrete, o pentacampeão mundial, a equipa canarinho, a partir de agora, contará com o médio que “daqui a uns aninhos vale mais uns milhões”. Palavra de Jorge Jesus. Por este andar, talvez tenha razão.

Agora é a seleção brasileira que vai “taliscar”. E, neste caso, o azar de Lucas Moura foi a sorte de Anderson — o extremo do Paris Saint-Germain, que estava convocado, lesionou-se no domingo, enquanto jogava contra o Marselha, em França, e já não poderá ir ter com Dunga. Talvez se tenha magoado a fazer esta maldade, quem sabe. Era preciso arranjar um substituto e o selecionador lembrou-se de Talisca. E chamou-o para os encontros frente à Turquia (12 de novembro) e à Áustria (18 de novembro).

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A novidade chega dias após o brasileiro dar ainda mais nas vistas e se estrear a marcar na Liga dos Campeões, na terça-feira, diante do Mónaco. “O Dunga está de olho no Talisca. [Ele] melhorou muito. Ganhou peso no último ano e isso era importante porque ele era muito magro”, dizia Alexandre Gallo, selecionador olímpico brasileiro, há dias, à Rádio Renascença. Magro, magrinho e a precisar de evoluir, dizem, mas já a fazer o suficiente para ser experimentado na equipa nacional do Brasil.

E agora, a “pequena lasca”, como diz o dicionário, na tradução literal de Talisca, tem oportunidade de subir mais um degrau.