O IGCP colocou 1.200 milhões de euros de dívida pública a 10 anos, 200 milhões acima do máximo previsto, numa operação com boa procura e juros baixos: 3,1766%, face aos 3,2524% de junho deste ano, indica a agência que gere o crédito público português.

Esta terá sido a taxa de juro mais baixa desde pelo menos 2005, ano onde se inicia o registo de dados da Bloomberg sobre emissões realizadas por Portugal.

Na página da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na agência de informação financeira Bloomberg, a instituição anunciou ainda que a procura para este leilão, cujos títulos vencem a 15 de fevereiro de 2024, foi de 2.479 milhões de euros, ou seja 2,07 vezes superior ao montante colocado, que também superou o montante da oferta inicial.

“Portugal conseguiu captar muito capital novo, o que é assinalável num dia movimentado em que a Itália e a Grécia colocaram bilhetes do Tesouro e a Alemanha vendeu obrigações a dois anos”, explica Steven Santos, gestor da XTB Portugal, em nota de análise. “Esta emissão permitiu não só reforçar a liquidez na linha a 10 anos como também antecipar o financiamento para 2015, aproveitando o baixo rendimento exigido no mercado secundário e evitar eventuais turbulências no mercado europeu de dívida”.

Nos dois últimos leilões de obrigações do Tesouro a dez anos realizados este ano foram colocados 750 milhões de euros a uma taxa de juro média de 3,5752% em abril e 975 milhões de euros a 3,2524% em junho.

No mercado secundário, os juros da dívida de Portugal a dez anos estavam esta quarta-feira, cerca das 10:30, a subir para 3,207%, depois de terem terminado a 3,201% na terça-feira e descido até ao mínimo de sempre, de 2,957%, a 10 de outubro passado.

“Portugal foi beneficiado pelas expectativas de que o BCE pode avançar, em breve, com um programa de compra de obrigações soberanas”, explica Steven Santos. “Se [Mario] Draghi avançar com a compra de obrigações no mercado secundário, a dívida de países periféricos como Portugal e Grécia deverá ser a mais procurada pelos investidores, devido às dificuldades de financiamento e de crescimento económico que ainda atravessam”, nota o especialista.

Este leilão de OT, com maturidade a 15 de fevereiro de 2024 e com um montante indicativo entre os 750 e os 1.000 milhões de euros, foi o segundo leilão de dívida pública do quarto trimestre do ano, período em que o IGCP espera colocar no mercado até 5.000 milhões de euros.

A 8 de outubro, Portugal colocou 1.000 milhões de euros em OT a seis anos, com vencimento em junho de 2020, a uma taxa de juro média de 1,8171%. A procura para este leilão foi de 1.804 milhões de euros, ou seja, 1,80 vezes superior ao montante colocado.

De acordo com o programa de financiamento previsto para o último trimestre de 2014, a agência que gere a dívida pública prevê realizar um a dois leilões de OT, esperando colocar no mercado de 750 a 1.000 milhões de euros por leilão.

Quanto à emissão de Bilhetes do Tesouro, está prevista a realização de seis leilões, podendo ser colocados no mercado até um máximo de 3.000 milhões de euros por esta via.