Mais de 100.000 menores peruanos com idades entre cinco e 17 anos trabalham como empregados domésticos, uma violação dos seus direitos à educação, à saúde e à liberdade, indicou hoje em Lima a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Cerca de 79 por cento dos menores empregados domésticos são meninas e 21% rapazes, 74% têm entre 12 e 17 anos e 26% entre seis e 11 anos, precisa a OIT num relatório divulgado no âmbito de uma campanha “pelo fim da escravatura das crianças”.

A maioria das meninas e das adolescentes envolvidas em trabalhos domésticos vem da zona rural andina e trabalha nas grandes cidades costeiras do Peru, entre as quais Lima, a capital, onde reside um terço dos peruanos, refere o estudo. “O trabalho doméstico é uma prática historicamente enraizada no Peru, onde as crianças e os adolescentes exercem funções de limpeza, não nas suas casas, mas em casa de terceiros ou de um empregador, e são, muitas vezes, exploradas”, sublinha Carmen Moreno, responsável da OIT para os países andinos.

“Os menores são designados como ’empregados invisíveis’, porque trabalham dentro de casas que não são deles”, acrescenta Carmen Moreno, acrescentando que a campanha recebeu o apoio da OIT, do ministério do Trabalho, do ministério das Mulheres e de várias organizações não-governamentais. Esta campanha fez parte de uma iniciativa mundial que visa impedir e erradicar a escravatura de menores, quando, segundo as organizações internacionais, em todo o mundo, cerca de 5,5 milhões de crianças e adolescentes trabalham em condições de escravatura.