José Maria Ricciardi, presidente do BESI (Banco Espírito Santo de Investimento), enviou para o parlamento as atas das reuniões do conselho superior, o órgão de cúpula da família Espírito Santo realizadas entre 2003 e setembro de 2013.

Em resposta ao pedido da comissão parlamentar de inquérito aos atos de gestão do Banco Espírito Santo (BES) e Grupo Espírito Santo (GES), Ricciardi explica que estes foram os documentos que conseguiu obter junto dos serviços de secretariado do conselho superior. A última das 24 atas enviadas data de 3 de setembro de 2013, o que significa que estes documentos não cobrem o período mais agudo da crise do GES e do próprio banco.

Na audição que decorreu terça-feira o presidente da KPMG Portugal, Sikander Sattar, localiza o início do período crítico para a crise do bando e do grupo no último trimestre de 2013, intervalo que já não é coberto por estas atas. Ainda está, no entanto, a chegar documentação ao Parlamento e os deputados terão mais elementos quando questionarem Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi,

As dúvidas sobre a situação financeira da Espírito Santo Internacional (ESI) começaram em setembro de 2013, tendo sido pedida pelo Banco de Portugal uma auditoria especial à holding não financeira do GES. Por esta altura já era contudo pública a imposição sobre o grupo para refinanciar a dívida das empresas não financeiras que tinha sido colocada nos clientes dos fundos de investimento da ESAF. Esta dívida é transferida para os clientes do banco.

A guerra com Pedro Queiroz Pereira pela Semapa, em que o GES surge do lado da irmã, Maude Queiroz Pereira, também já tinha chegado aos jornais, mas o encontro do presidente da Semapa no Banco de Portugal onde entregou provas do desequilíbrio financeiro do GES, só ocorreu em outubro de 2013, já dentro do “período crítico”, identificado pelo auditor do BES.

De fora fica também a famosa reunião do conselho superior de novembro de 2013, noticiada pela imprensa, em que terá sido tentado uma espécie de”golpe de estado” para afastar Ricardo Salgado, por iniciativa de José Maria Ricciardi.

 

Ricciardi, cuja audição está agendada para a tarde do dia 9 de dezembro, a seguir à audição de Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, remete a entrega do resto da documentação para o presidente do conselho superior, o comandante António Ricciardi, seu pai.

Ricardo Salgado que também fazia parte do conselho superior explicou não poder entregar a referida documentação, por ter sido apreendida nas diligências realizadas pela justiça no quadro das investigações Monte Branco e ao Grupo Espírito Santo.