Rui Rio, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, disse estar em choque com a detenção de José Sócrates e censura a forma como tudo aconteceu. Em entrevista à Antena 1, na quinta-feira, comentou ainda a colagem do novo Partido Socialista à esquerda, considerando que o PSD tem, neste momento, possibilidades de vencer as próximas eleições legislativas.

“É um choque. Para qualquer pessoa consciente, é um choque. Mas aquilo que para mim mais me chocou foi a forma como foi feito”, começou por dizer sobre o tema da detenção do ex-primeiro-ministro, a 21 de novembro, no aeroporto de Lisboa. “A tal violação do segredo de justiça e o chamar a comunicação social para filmar o espétaculo. A justiça é um assunto de Estado, a justiça não é um show de televisão, não é para concorrer com o Big Brother ou audiências. Quando assim se faz, estamos a por o poder político e judicial na lama”, acusou.

Para o antigo autarca da Invicta, a detenção do ex-primeiro-ministro criou uma “situação difícil” para o PS. “Fosse quem fosse o secretário-geral, mas particularmente mais difícil para quem foi o número 2 do engenheiro Sócrates”, explicou, deixando claro que não considera este ser um bom timing para mexer na legislação do enriquecimento ilícito – como foi proposto pelo primeiro-ministro, Passos Coelho.

Quanto à viragem à esquerda do novo PS, que ficou muito vincada no XX congresso do partido, a 28 e 29 de novembro, Rui Rio considera-a uma boa notícia para o PSD. “Se faz um desafio ao Bloco de Esquerda, que se está a desmoronar — qualquer dia nem existe –, se faz a um Partido Comunista e ao Livre, que em Lisboa alguns saberão o que é, mas não no resto do país, inclusive no Porto, parece-me que se abriu aqui um espaço que o PSD pode conseguir [aproveitar]. Eu acho que hoje o PSD tem possibilidades de ganhar [as próximas eleições legislativas, em 2015].”

Quanto a um regresso aos holofotes da política, nomeadamente como substituto de Passos Coelho, Rui Rio foi evasivo e não promete nenhuma movimentação. E se houver uma vaga de fundo? “Essa coisa da vaga de fundo é dizer ‘ele quer um tapete vermelho, ele quer que o levem às costas’. Por amor de Deus, interprete-se o que estou a dizer. Por mim não estou a dar passo nenhum nesse sentido, que não seja apenas a intervenção pública, como estor aqui. Podia desaparecer completamente da vida pública, mas não o estou a fazer. Continuo a dar entrevistas e conferências.”