Depois do ataque à escola paquistanesa que matou pelo menos 132 crianças, ferindo muitas outras, Malala Yousafzai, a mais jovem prémio Nobel da Paz de sempre, declarou-se “de coração partido”. A jovem paquistanesa de 17 anos também foi vítima de um ataque talibã, sendo baleada na cabeça por defender o direito das raparigas à educação.

“Estou de coração partido com este ato de terror, a sangue frio e sem sentido, em Peshawar, que se desenrolou perante nós. As crianças inocentes na escola não deveriam estar numa situação de horror como esta. Condeno estes atos atrozes e cobardes e mantenho-me concordante com as ações do Governo e das forças policiais do Paquistão cujos esforços para resolver este evento horrível têm sido louváveis”, disse a jovem Malala Yousafzai. “Eu, juntamente com milhões de outras pessoas no mundo, choramos por estas crianças, meus irmãos e minhas irmãs, mas jamais seremos vencidos.”

Lembrando a ataque talibã de 9 de outubro de 2012 contra Malala, o ministro dos Negócios Estrangeiros canadiano, John Baird, disse que apesar de terem tentado “calar uma menina que ousou enfrentá-los”, “falharam redondamente”. John Baird espera, depois desta tragédia, “ver emergir mais crianças como Malala Yousafzai” que lutem “por mais educação, livre de violência ou intimidação”.

“Nada pode justificar esta brutalidade”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. “É um ato de horror e cheio de cobardia atacar crianças indefesas enquanto aprendem. Supõem-se que as escolas sejam espaços seguros de aprendizagem.” Ban Ki-moon acrescenta ainda que: “O direito à educação é um direito de qualquer criança. Ir à escola não devia ter de ser um ato de coragem.”

Lutar contra o terrorismo cobarde

Vários líderes mundiais também já condenaram este ato que foi reclamado pelo movimento dos talibãs paquistaneses Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP).

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, condenou o ato de terrorismo e cobardia na escola de Peshawar na conta do Twitter. “É um ato sem sentido de brutalidade indescritível que tirou a vida aos seres humanos mais inocentes – crianças jovens na escola. O meu coração está com todos aqueles que perderam os entes queridos. Partilhamos a dor deles e oferecemos as nossas condolências.”

“O que aconteceu no Paquistão é simplesmente inacreditável”, disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron. “É um dia muito negro para a humanidade quando uma coisa deste tipo acontece sem justificação. Não há nenhuma crença no mundo que possa justificar este ato. Acho que isto mostra a ameaça mundial que é imposta por esta ideologia envenenada de extremismo islâmico terrorista.” O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Philip Hammond, concorda que “nada pode justificar um ataque tão horrível contra crianças que vão à escola.”

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, fala em “cobardia cruel”. Um ato “injustificável”, segundo David Griffiths, vice-diretor da Amnistia Internacional para a Ásia-Pacífico. “Ao escolher alunos e professores neste ataque hediondo, os terroristas mostraram, mais uma vez, a perversão que têm”, disse o presidente norte-americano Barack Obama.

Do Paquistão chega a promessa que a luta contra o terrorismo vai continuar. “O Governo e o exército já começaram a operação Zarb-e-Azb e vamos continuá-la até conseguirmos expulsar o terrorismo da nossa terra“, disse o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, referindo-se à ofensiva militar paquistanesa contra as milícias. “Também temos discutido com o Afeganistão a possibilidade de juntos lutarmos contra o terrorismo e esta luta continuará. Que ninguém tenha dúvidas sobre isso.” O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, afirmou que “a morte de crianças inocentes é contra o islão”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, citado pela APP, declarou que apoia as medidas do governo paquistanês para acabar com estes atos de terrorismo. “Espero que o Paquistão continue com a luta intransigente para eliminar esta infraestrutura extremista. A Rússia está pronta para ajudar o governo paquistanês nos esforços contra o terrorismo.” O mesmo tipo de ajuda foi garantido pelo homólogo britânico, Philip Hammond. “O Reino Unido continua a apoiar o governo e população do Paquistão na luta contra o terrorismo e extremismo.

O primeiro-ministro indiano promete também ajudar o Paquistão nestas horas de luto e no combate ao terrorismo.