Os governos de Angola e do Ruanda querem elevar dos acordos de paz e segurança, que até hoje caracterizam as relações entre os dois países, para um quadro geral de cooperação, foi divulgado nesta quarta-feira em Luanda. A intenção foi hoje anunciada pela secretária de Estado para a Cooperação do Ministério das Relações Exteriores de Angola, Ângela Bragança, no final da visita de trabalho que o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, efetuou hoje ao país.

Em declarações à imprensa, a governante angolana disse que as relações até agora se desenvolvem mais no âmbito da paz e da segurança, referindo a necessidade de “se imprimir uma dinâmica diferente nas relações” para o futuro. “Sobretudo a nível do Ministério das Relações Exteriores, encetar conversações, tendo em conta a necessidade de se estabelecer um quadro geral de cooperação. Sair dos aspetos de paz e segurança para as questões das trocas comerciais, do desenvolvimento das relações políticas e culturais também”, adiantou.

A governante disse ainda que “vão procurar cooperar no domínio da organização administrativa, da organização urbana, mas também no domínio comercial”, frisando que o Ruanda é um país com uma aposta séria no domínio agrícola.

O Presidente do Ruanda foi hoje recebido pelo seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, com quem abordou a situação na região dos Grandes Lagos, particularmente sobre a República Democrática do Congo e a República Centro Africana.

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Igualmente em declarações à imprensa, no final da visita, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Louise Mushikiwabo, referiu que os dois Chefes de Estado decidiram que os ministros das Relações Exteriores de ambos os países devem iniciar consultas para estabelecer outros níveis de cooperação.

O futuro mandato de dois anos que Angola assume, a partir de janeiro, como membro não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas foi igualmente tema de conversa entre os dois Presidentes. “O Ruanda está agora a terminar o seu mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU e Angola está a começar este mandato, então era importante esta troca de experiências”, concluiu a ministra ruandesa.