Em comunicado, a Procuradoria indica que Torres-Dulce pediu a sua demissão ao ministro da Justiça, Rafael Catalá, e que regressará ao seu posto anterior, no Tribunal Constitucional.
Da última vez que se apresentou ao parlamento espanhol, em novembro passado, Torres-Dulce assinalou que nunca foi um procurador com tendência para favorecer o Governo, aludindo a uma queixa da procuradoria contra a liderança do governo regional catalão.
A queixa visava o presidente catalão, Artur Mas, a sua vice-presidente, Joana Ortega, e a conselheira Irene Rigau, que eram acusados de desobediência grave, prevaricação, abuso de poder e peculato por “sobreporem a sua visão partidária” à suspensão da consulta popular sobre a independência catalã, suspensa por ordem do Tribunal Constitucional.
Divergências entre a Procuradoria-Geral e a Procuradoria catalã protelaram durante duas semanas a apresentação da queixa, com a oposição e os partidos independentistas a apontarem alegadas pressões sobre Torres-Dulce para que acusasse os líderes defensores da consulta.
Perante os deputados, Torres-Dulce invocou o exemplo do caso do ex-tesoureiro do Partido Popular, no Governo, detido por ordem da Procuradoria por suspeitas de corrupção, para negar as acusações de favorecimento ao Governo.
“Nunca tolerei que o Governo me dissesse o que tenho que fazer”, salientou na altura Torres-Dulce, que no dia 27 de janeiro cumpriria três anos como procurador-geral do Estado espanhol.