Rádio Observador

Sporting

O que é nacional é Mané

O Nacional começou melhor, viu os erros do Sporting e usou-os para lhe pregar vários sustos. Os leões atinaram na segunda parte: Mané marcou, Adrien Silva ainda foi expulso e a equipa ganhou (1-0).

Carlos Mané marcou o único golo da partida, e o seu quinto esta temporada, aos 50'

JOSE SENA GOULAO/LUSA

O que é nacional é bom. A frase, com os anos e o hábito que os tempos lhe deram, tornou-se lema. Não é raro ouvi-la ou lê-la, quando altura é para exaltar o que se faz cá dentro e desviar o olhar do que vem de fora. Mas tudo depende da perspetiva. E do sítio. Porque do ponto de vista de um leão radicado em Lisboa, os últimos dez anos de visitas à Madeira e ao que, por lá, é Nacional, só lhe tinham dado de volta três vitórias em 12 jogos. Moral deste lema: o que é nacional, para o Sporting, é mais uma dor de cabeça.

E azar, já agora. Porque logo aos 10’, com o jogo ainda a ser criança, um André Martins que não dava um passou bem à titularidade desde a sétima jornada saía lesionado. Ou pela cabeça de Slimani, aos 21’, ter de ser coberta com uma ligadura após um cotovelo a colocar a sangrar. E, sobretudo, porque o Nacional de Manuel Machado, esse sim, estava a ser bom.

Sporting: Rui Patrício; Cédric, Maurício, Paulo Oliveira e Jonathan Silva; William Carvalho, Adrien Silva e André Martins; Carlos Mané, André Carrillo e Islam Slimani.

Nacional: Gottardi; Marçal, Miguel Rodrigues, Zainadine Júnior e João Aurélio; Ali Ghazal, Saleh Gomaa e Fofana; Marco Matias, Suk e Mário Rondón.

Bom sem bola, quando mandava os jogadores pressionar bem lá à frente e obrigarem os leões a pensarem em pouco tempo. Bom por, no centro do relvado, ter em Ali Ghazzal um trinco com um corpo que mal perde duelos físicos e um pé direito ao qual a equipa podia recorrer para, quando era preciso, enviar a bola com um passe preciso, pelo ar, para os pés de alguém que estivesse do outro lado do campo. E bom porque era matreiro — o suficiente para esperar por algo que o Sporting fazia sempre.

Os leões tocavam mais vezes e durante mais tempo na bola, sim. Mas falhavam muitos passes, dos simples até, em que o jogador não está a mais de três metros de distância. Quando não erravam e conseguiam levar a jogada até Mané ou Carrillo, os extremos, era normal o lateral desse lado avançar no campo. Quando isto acontecia, o sul-coreano Suk, e o venezuelano Mário Rondón, às vezes, já sabiam o que fazer: mexiam-se até ao espaço que esse tal lateral do Sporting deixara e por lá esperavam que a bola lhes chegasse.

Chegou muitas vezes. Logo aos 7’ foi o venezuelano a, no lado esquerdo, o de Jonathan Silva, tabelar com Marçal e rematar ao lado. Depois foi o coreano, em três jogadas, a fugir pelo lado de Cédric, o direito, receber a bola e dali começar jogadas que levavam o Nacional até à área leonina. Aos 31’, por exemplo, Rondón esperou por outra debandada de Jonathan Silva, recebeu a bola e aproveitou a lentidão do bombeiro que lá foi tentar apagar o fogo (Maurício) para o ultrapassar e rematar pouco ao lado da baliza de Rui Patrício.

Pressionar, roubar a bola, lançar contra-ataques rápidos e com poucos toques na bola. Era nisto que o Nacional se mostrava bom. Os leões, porém, também foram melhorando em muita coisa. A bola, com os minutos a passar, ia chegando mais vezes a Slimani. Como aos 19’, em que tabelou com Adrien para o médio depois passar a Cédric, que cruzou a bola para, na área, João Mário cabecear por cima da baliza. Aos 29’, tudo começou no argelino que se mostrou a um lançamento lateral e, com um toque, passa a bola a Adrien e começa a correr. Ela circulou, foi parar a Carrillo, que viu o sprint do argelino, cruzou a bola para onde estimava que ele fosse aparecer e o avançado, de pé esquerdo, rematou ao lado da baliza.

Depois, aos 34’, uma carambola num canto, após bater em cabeças e até braços, sobrou para Slimani, que a rematou por cima da baliza de Gottardi. As oportunidades, de ambos os lados, falhavam-se. Mas não punham travão num jogo com rotação que aguçava o apetite para o que a partida pudesse servir após o intervalo. E o que colocou no prato foi mais intensidade.

E acerto do lado verde e branco. A segunda parte arrancou e Adrien passou a estar mais perto de William Carvalho: cortava os metros que a bola percorria nos passes entre ambos e aproximava-se também da defesa para facilitar a saída de bola. Os erros diminuíram ao mesmo tempo que a velocidade nas jogadas aumentava — e o Nacional sofria com isto. Mais ainda quando, após cinco minutos de um Sporting bem melhor, viu o 1-0 a aparecer. Aos 50’, Jonathan Silva bateu um canto, Slimani cabeceou na bola, Gottardi defendeu-a para a frente e Carlos Mané pontapeou o ressalto para golo.

Os leões melhoravam, a conta do jogo ia sendo tomada e o Nacional que fora bom começava a amolecer. À exceção de Gottardi, guarda-redes que teve de pular muito para, aos 61’, defender a bola que Carrillo rematou em arco, à entrada da área, após com ela fintar um adversário. Ou que, aos 72’, se saiu às pernas de Adrien, quando o médio rematou para fechar uma jogada das bonitas, que começou junto à outra área e que viu João Mário, tabela em tabela (com William Carvalho e Adrien Silva), levar a bola até perto da baliza do Nacional.

Os madeirenses, quando atacavam, já o queriam fazer com mais calma e a trocar mais passes. Os leões já não mandavam um dos laterais avançar, portanto, a fórmula de contra-ataque anulara-se. A desenhar jogadas com cabeça, porém, a equipa confiava em demasia nos pés de Gomaa, o número 10 que não demorava muito tempo a ver-se cercado por adversários. Só à custa chegavam à área leonino e a coisa apenas desemperrou quando Adrien, aos 77’, perdeu uma bola, fez falta para redimir o erro e acabou por o piorar — viu o árbitro mostrar-lhe um cartão amarelo pela segunda vez.

Por isso os leões ainda tiveram de sofrer. E a dor não foi maior porque a bola que o gigante Lucas João rematou com o pé canhoto, aos 82’ e em jeito, rasou o poste da baliza de Rui Patrício — guardião que quatro minutos depois defendeu um remate de Marco Matías quando esteve ficara sozinho, com a bola, dentro da área. Apanhados os sustos, o Sporting usou e abusou de Carrillo para colar a bola ao pé, escondê-la perto da linha e deixar os minutos passar. E, no fim, ganhar e encurtar para um ponto a desvantagem para o terceiro lugar do campeonato do Vitória de Guimarães (que perdeu 1-0 com o Estoril).

Dois anos depois — a última vitória no Estádio da Choupana fora em 2012 –, uma visita ao Nacional foi boa para o Sporting. E o golo até veio do pé direito de um português, para fazer jus ao lema. Ou para o adaptar. O que é nacional, desta vez, foi Mané.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)