Pedro Santana Lopes continua o seu percurso rumo ao anúncio de uma candidatura à Presidência da República. Depois de dar entrevistas e fazer declarações mostrando-se disposto a avançar com uma candidatura na primavera, mesmo sem o apoio da estrutura partidária, agora foi a vez de deixar duras críticas ao adversário. “Ridículo” e “incoerente”, foi assim que caracterizou aqueles que dizem que é cedo para falar em presidenciais e “não falam de outra coisa”. Leia-se, os comentadores, como Marques Mendes ou Marcelo Rebelo de Sousa, mas também António Costa que este fim de semana falou duas vezes sobre o tema, abrindo as portas de Belém a António Vitorino.

“Às vezes, é tudo tão ridículo… É cedo, é cedo e não falam de outra coisa. E o que é espantoso é que caem nessa incoerência, em público, sem sequer pedirem desculpa. Continuemos a olhar o horizonte por cima das nuvens que lhes toldam o discernimento”, lê-se na página de Facebook do atual provedor da Santa Casa da Misericórdia e ex-primeiro-ministro, onde a publicação aparece acompanhada de uma fotografia da janela de um avião, com as nuvens em plano de fundo.

As declarações de Santana Lopes foram publicadas no domingo ao início da tarde. Antes, no sábado à noite, o secretário-geral do PS tinha lançado subtilmente Vitorino na corrida a Belém, primeiro durante uma convenção organizada pela Federação socialista de Lisboa e depois numa entrevista à SIC Notícias. António Vitorino tem “todas as qualidades para poder ser um excelente Presidente da República”, disse Costa no programa “A Propósito” em reação à última sondagem publicada pelo Expresso, que dava Vitorino e António Guterres como os putativos candidatos do PS capazes de derrotar os vários candidatos da direita.

António Vitorino, na verdade, é visto como o nome socialista que pode sempre surgir a qualquer momento para qualquer cargo de topo. Em 2001, quando o então primeiro-ministro António Guterres se demitiu do Governo, Vitorino foi apontado pelos socialistas como o provável sucessor. “Não há festa nem festança sem a D. Constança”, chegou a ironizar o próprio Vitorino, pondo-se na pele da tal D. Constança, sempre presente.

Certo é que António Vitorino está afastado da política nacional desde 1997, há quase 18 anos, quando se demitiu do cargo de ministro da Defesa. Foi depois Comissário Europeu, responsável pela Justiça e Assuntos Internos, entre 1999 e 2004. E desde então voltou a exercer advocacia e é presença regular em programas de comentário político na rádio e televisão.

Nas últimas semanas o debate sobre os possíveis candidatos presidenciais, e o timing certo para oficializarem a candidatura, tem-se adensado na imprensa, apesar de tanto PS como PSD manterem o discurso de que “é cedo para falar”, porque pelo meio ainda há as legislativas.