O secretário-geral da NATO considerou nesta segunda-feira sem sentido as declarações do presidente russo, Vladimir Putin, em que acusou o exército ucraniano de ser a “legião estrangeira da NATO” e pediu o fim do apoio aos separatistas. “A afirmação de que há uma legião estrangeira na Ucrânia não tem sentido. Não há uma legião da NATO, as forças estrangeiras na Ucrânia são da Rússia”, disse em conferência de imprensa Jens Stoltenberg, após uma reunião extraordinária sobre a situação na Ucrânia.

Pouco antes do encontro, que decorreu na sede da NATO em Bruxelas, Vladimir Putin tinha acusado a organização de usar o exército ucraniano como uma “legião estrangeira” para “conter” a Rússia. O conflito no leste da Ucrânia, na zona separatista pró-russa, teve uma nova escalada no sábado, com o bombardeamento do porto estratégico de Mariupol, que fez 30 mortos civis e centenas de feridos.

Stoltenberg condenou a escalada de violência e considerou “injustificados e inaceitáveis” os ataques recentes. “Apesar das promessas repetidas para trabalhar para uma solução pacífica, a Rússia continua a dar o seu apoio, treino, equipamentos e forças”, acusou.

O responsável máximo da NATO disse ainda que, nas últimas semanas, aumentou o fluxo de equipamento que os russos fazem chegar aos separatistas ucranianos, entre artilharia pesada, tanques, veículos blindados e sistemas eletrónicos militares, tendo insistido novamente com Moscovo para “parar imediatamente de apoiar os separatistas”.

Para quinta-feira está marcada uma reunião extraordinária de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) sobre a situação na Ucrânia. No sábado, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, advertiu Moscovo que a “escalada vai inevitavelmente provocar uma grave deterioração das relações entre a UE e a Rússia”. Vários Estados-membros reclamaram a adoção de novas sanções contra a Rússia, acusada de dar apoio político, militar e financeiro aos separatistas.