As vendas semanais de divisas do Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial atingiram um máximo do ano na última semana de fevereiro, o mesmo aconteceu com a taxa de câmbio oficial de dólares para kwanza.

De acordo com o relatório semanal sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, do BNA, ao qual a agência Lusa teve acesso, o banco central angolano realizou vendas em leilões, entre 23 e 27 de fevereiro, de 600 milhões de dólares (535 milhões de euros). Este valor compara com as vendas de divisas na semana anterior de 450 milhões de euros (396 milhões de euros).

As vendas da última semana pelo BNA foram concretizadas a uma taxa média de referência do mercado cambial interbancário de 106,858 kwanzas (89 cêntimos de euro) por cada dólar, um novo máximo. Esta taxa de câmbio oficial não para de subir desde novembro, quando um dólar valia menos de 100 kwanzas.

O BNA colocou na banca comercial, em todo o mês de fevereiro, mais de 1.950 milhões de dólares (1.598 milhões de euros), mas ainda se sentem restrições, aos balcões da banca comercial, no acesso dos clientes a moeda estrangeira.

Em causa está, nomeadamente, a diminuição de receitas de venda do barril de crude por Angola, o que fez diminuir a entrada de divisas no país, provocando a escassez de dólares no mercado e dificultando o pagamento das empresas a fornecedores internacionais.

Devido às restrições impostas pelos bancos comerciais no levantamento de divisas, face à escassez da moeda norte-americana, as taxas praticadas no mercado informal têm vindo a disparar, com a compra de cada dólar a manter-se acima dos 120 kwanzas nas ruas de Luanda.

O governador do BNA afirmou a 6 de fevereiro que “antecipações erradas” da crise do petróleo por agentes económicos estão na origem das dificuldades no acesso a divisas, porque as vendas mensais fixam-se, em média, nos 1.500 milhões de dólares.

José Pedro de Morais Júnior disse que não existem motivos para as dificuldades relatadas no acesso generalizado a dólares nos bancos comerciais. O Governador deu a entender que o problema está nas medidas de proteção adotadas pelos bancos, face aos efeitos da crise do petróleo, nomeadamente com a intenção de constituírem reservas para prevenir eventuais dificuldades.