O Banco de Portugal enviou para o Ministério Público a auditoria forense elaborada pela consultora Deloitte, que se debruçou sobre a gestão do Banco Espírito Santo e de Ricardo Salgado. A informação que dá conta do envio do documento, que evidencia que a gestão de Ricardo Salgado terá praticado quatro atos dolosos de gestão ruinosa, está a ser avançada pela SIC Notícias.

O Ministério Público passou esta quinta-feira a contar com a auditoria da Deloitte, encomendada pelo Banco de Portugal, como um documento de apoio à investigação da gestão do BES nos anos que antecederam o colapso do banco. O Observador já confirmou, junto de fonte, a informação.

A gestão de Ricardo Salgado no Banco Espírito Santo e na Espírito Santo Financial Group (ESFG) terá praticado quatro atos dolosos de gestão ruinosa, conclui a auditoria forense conduzida pela Deloitte a pedido do Banco de Portugal. As conclusões da primeira parte deste trabalho apontam ainda para a “potencial desobediência ilegítima” a instruções do Banco de Portugal em 21 operações, durante o mandato de Salgado, até meados de junho de 2014, num total de 27 potenciais infrações encontradas. Esta informação consta do sumário executivo da primeira parte da auditoria entregue ao Banco de Portugal a 3 de março e que este remeteu para a comissão de inquérito aos atos de gestão do BES e Grupo Espírito Santo.

Entre os quatro atos que configuram “potencial prática de atos dolosos de gestão ruinosa”, encontram-se as cartas conforto no valor de 365 milhões de euros emitidas pelo BES a garantir o reembolso a duas entidades da Venezuela em junho do ano passado, e que foram assinadas por Ricardo Salgado e José Manuel Espírito Santo. Não foram encontradas garantias dadas ao BES de que esta operação não representaria um aumento da exposição do banco ao Grupo Espírito Santo.

Foram também detetadas operações de financiamento pelo BES a entidades não financeiras do GES após 4 de junho de 2014, o que representa um potencial incumprimento da proibição do Banco de Portugal relativa à concessão de novos créditos. Estes movimento, bem como sete operações de financiamento a entidades do GES concedidas antes dessa data, mas em relação às quais não existe informação, configuram igualmente um potencial ato doloso de gestão ruinosa.