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Manuel Alegre exige a Costa que peça demissão de Passos

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Histórico socialista repreende o PS por ainda não ter exigido a demissão de Passos Coelho na sequência das dívidas à segurança social. Alfredo Barroso segue o exemplo e diz-se "dececionado".

Manuel Alegre é um dos maiores representantes da ala socialista mais à esquerda

MÁRIO CRUZ/LUSA

O histórico socialista Manuel Alegre não compreende como é que o PS, PCP e Bloco de Esquerda, ainda não exigiram a demissão do primeiro-ministro na sequência dos casos tornados públicos de dívidas antigas à segurança social. Em declarações ao Diário de Notícias, Alegre mostra-se “perplexo” e defende que Passos já devia ter sido “confrontado pelo PS e pelos outros partidos da esquerda perante a obrigação ética e política de se demitir”.

Segundo o conselheiro de Estado socialista, a ideia que fica é que Passos “beneficia de uma absoluta impunidade política”, já que “em qualquer outro país democrático” a demissão seria o primeiro cenário a ser posto em cima da mesa. E não vai tão longe, lembrando outros casos que aconteceram em solo nacional, como o episódio em que o então ministro da Defesa António Vitorino (PS) se demitiu por alegadas irregularidades no pagamento da sisa.

Manuel Alegre é um dos pesos mais pesados na ala mais à esquerda do Partido Socialista e não é a primeira vez que deixa recados ao PS, pedindo uma intervenção mais aguerrida e eficaz no combate às políticas de austeridade aplicadas pelo atual Governo. A última vez foi na sequência da polémica declaração de António Costa perante uma plateia de representantes da comunidade chinesa em Portugal, onde Costa disse que o país estava “muito diferente” face há quatro anos. Nessa altura, em declarações também ao DN, Alegre chegou a afirmar que o secretário-geral socialista devia-se bater mais por uma “rutura total” com a austeridade.

Sobre a forma como Passos Coelho reagiu ao caso, fazendo uma intervenção de defesa pela via do ataque à margem das jornadas parlamentares, no Porto, Alegre acusa o primeiro-ministro de ter posto em causa o princípio da presunção da inocência de José Sócrates. No seu discurso, Passos usou implicitamente o exemplo do ex-primeiro-ministro, preso por suspeitas de corrupção e fraude fiscal, para dizer que ele, apesar de não ser “perfeito”, nunca usou o “cargo para enriquecer”. Um argumento que faz parecer que [Passos] quer “transformar um caso judicial num caso político”, ao contrário do que tem dito até aqui.

Esta tem sido, de resto, a opinião generalizada que corre dentro do PS, com os socialistas a defenderem o fundamento da carta enviada ontem por Sócrates às redações do DN, TSF e Jornal de Notícias. “[Sócrates] ficou indignado com o facto de o primeiro-ministro ter violado um direito constitucional, que é o da presunção da inocência”, disse aos jornalistas Eduardo Ferro Rodrigues, depois de ter garantido que as dívidas de Passos não foi tema abordado na reunião de ontem da bancada.

Afinal, Alfredo Barroso preferia Seguro

Também o histórico fundador Alfredo Barroso, que se desfiliou do PS na semana passada, na sequência da polémica “chinesice” de Costa, seguiu a mesma linha de Alegre. Em entrevista à Antena 1 esta sexta-feira, o socialista afirmou que não entende o silêncio do PS nesta altura, e que está “dececionado” com os primeiros cem dias de António Costa à frente do PS.

Acho que ele [António Costa] tinha a obrigação de dizer qualquer coisa muito clara, nem que fosse para dizer que sobre estas matérias não comento. O que seria sempre um pouco incompreensível, visto que os olhos do país estão concentrados nestes problemas sério do primeiro-ministro que, noutros países, já teriam dado certamente origem a um pedido de demissão”, disse.

E em jeito de balanço dos primeiros cem dias de mandato de Costa à frente do PS, Alfredo Barroso, que apoiou o autarca nas primárias, diz agora ter dúvidas sobre se, afinal, António José Seguro não teria dado um melhor candidato para as eleições deste ano. “Hoje já não sei se ele [Costa] será melhor do que seria António José Seguro, que eu tanto ataquei e que hoje se deve estar a rir. Não me arrependo mas estou dececionado com estes 100 dias do António Costa”, afirmou àquela rádio.

A dimensão da deceção mede-se pelas sondagens, diz Barroso, que não mostram o PS a protagonizar qualquer “abanão” político como se pensaria aquando da eleição de um novo líder. O histórico socialista diz que ainda acredita na vitória do PS nas eleições, mas apenas por “exclusão de partes”, “por entrada em estado de coma dos partidos que estão no poder”. Mas ressalva: “embora o PS também esteja em estado de coma…”. Está tudo em aberto, diz.

Do que resta da ala segurista no partido, o tom é, no entanto, mais comedido. Álvaro Beleza defende que “o país não pode ter à frente um primeiro-ministro que não cumpre as suas obrigações”, mas não duvida de que António Costa esteja a “refletir sobre o assunto” das dívidas de Passos e que “tomará a decisão adequada”. O ex-dirigente socialista, no entanto, remete o foco das atenções para a questão maior da fiscalização e da necessidade de garantir “os meios de transparência”.

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