A Ucrânia viveu, esta sexta-feira, o primeiro dia em meses sem que nenhum civil ou membro do Exército tenha morrido ou ficado ferido na sequência de conflitos com os separatistas pró-russos. Foi a primeira vez em longos meses, avança a agência de notícias Bloomberg. Para o porta-voz do Exército ucraniano esta é uma “boa notícia”, apesar de, no total, a guerra que está a ser travada no leste do país desde março do ano passado já ter feito perto de 6 mil mortes.

O facto de não se terem registado baixas, no entanto, não significa que o cessar-fogo esteja a ser cumprido com rigor, e não chega para a União Europeia levantar as sanções impostas à Rússia. Segundo a Bloomberg, que cita o porta-voz do Exército, Andriy Lysenko, vários grupos de separatistas têm estado a desafiar o acordo de tréguas, desencadeando bombardeamentos e tiroteios esporádicos, especialmente nas zonas junto às cidades de Donetsk, Artemivsk e Volnovakha, no leste.

Certo é que a possibilidade de a União Europeia e os Estados Unidos da América virem a apertar ainda mais a pressão pela via diplomática, aumentando as sanções económicas impostas a altos dirigentes russos, ainda permanece em cima da mesma. A última vez que o ocidente alargou o pacote de sanções foi em julho, na sequência das acusações de que Moscovo estaria a enviar tropas e armas para apoiar os separatistas. As sanções atualmente em vigor, de resto, só serão levantadas se “algo de realmente bom e significativo se verificar no terreno”.

A última vez que Rússia e Ucrânia se sentaram à mesa das negociações foi no mês passado, na capital bielorrussa de Minsk, de onde saiu um frágil acordo de cessar-fogo. Mas a verdade é que os rebeldes separatistas no leste não estão a cumprir com a exigência de retirar o armamento pesado das regiões de Donetsk e Lugansk, alegando não estar a haver “cooperação satisfatória” com os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Apesar de frágil e “imperfeito”, o passo foi visto pela Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Federica Mogherini, como uma “tendência positiva”.

Em mais de 11 meses de conflito, as Nações Unidas estimam que tenham morrido pelo menos 6 mil pessoas, incluindo mais de 1500 soldados ucranianos, segundo confirmou o embaixador ucraniano para a ONU, Yuriy Sergeyev, na última sessão do Conselho de Segurança.