O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse na noite de terça-feira no parlamento grego que o governo que lidera irá “trabalhar arduamente para contribuir para resolver os problemas complexos da zona euro”. As declarações surgiram na véspera de começarem as negociações técnicas com a Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob o alerta de que será preciso um acordo para que seja emprestado mais dinheiro a Atenas.

“Quero assegurar-vos de que o governo grego irá trabalhar arduamente para contribuir, numa base equilibrada e mediante um diálogo enquadrado em negociações honestas, para que se encontre uma solução para os problemas complexos da Europa”, afirmou Alexis Tsipras no parlamento de Atenas. O líder do governo grego voltou a focar-se, neste discurso, na exigência de reparações de guerra que, na sua opinião, devem ser pagas pela Alemanha ao povo grego.

A Grécia inicia hoje as negociações técnicas com a Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob o alerta de que será preciso um acordo para que seja emprestado mais dinheiro a Atenas. Alexis Tsipras, garantiu, nas eleições de janeiro, que as ‘instituições’ – anteriormente apelidadas de ‘troika’ – não regressariam a Atenas, e prometeu a renegociação da dívida e o fim das medidas de austeridade, impostas sob os dois programas de ajustamento desde 2010.

Mas, no final da reunião dos ministros das Finanças da zona euro de segunda-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que será preciso um acordo para ser emprestado mais dinheiro a Atenas – alerta que reafirmou na terça-feira -, numa altura em que o país se debate com problemas de tesouraria para fazer face às obrigações financeiras.

No mês passado, os ministros decidiram prolongar o programa de ajustamento da Grécia até junho, desde que Atenas apresentasse as reformas que necessita de fazer, mas Jeroen Dijsselbloem acusou Atenas de perder tempo. “Passámos duas semanas a discutir quem, onde e como decorrem as reuniões, isso é uma completa perda de tempo”, afirmou o também ministro das finanças holandês na segunda-feira.

“Acordámos hoje que não há mais tempo a perder. As discussões entre o governo grego e as instituições vão começar na quarta-feira [hoje] em Bruxelas. Em paralelo, equipas técnicas das instituições vão a Atenas”, anunciou Jeroen Dijsselbloem na altura. O ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, insistiu que Atenas não perdeu tempo e que aguarda com expectativa o início das negociações técnicas desta quarta-feira.